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A transição do loungewear

Com a pandemia, o conforto passou a ser regra para os consumidores e segmentos como o loungewear tornaram-se indispensáveis e fizeram disparar vendas no sector de vestuário. Com o desconfinamento gradual para a nova realidade, as retalhistas de moda estão a preparar a transição perfeita entre esta consequência recente e o quotidiano atual.

[©Instagram/@boohoo]

Mais de um ano depois do início da pandemia, o desejo dos consumidores por roupa confortável mantém-se, motivo pelo qual as marcas estão a trabalhar na adaptação deste conceito para as atividades do dia a dia. O mercado retrata isso mesmo com as novas coleções de loungewear de insígnias voltadas para os millennials, como a marca de lingerie ThirdLove e a marca de calçado sustentável ​​Allbirds. A Levi’s, Lucky Brand e, mais recentemente, a Citizens of Humanity fazem parte da lista de marcas de denim que continuam a crescer na moda doméstica. Já insígnias que desde sempre são sinónimo de conforto como a Ugg e a Juicy Couture tiveram um crescimento relevante nos últimos tempos.

E se a comodidade do vestuário deixou de ser uma característica negociável para os compradores mesmo no regresso à realidade, as marcas e as retalhistas estão a preparar novidades no segmento de loungewear para dar aos consumidores a «transição perfeita» para o pós-pandemia, segundo o Sourcing Journal, que analisou um novo estudo da empresa de análise de retalho Edited a explorar precisamente esta viragem.

Apesar do mercado de loungewear estar lotado, os produtos esgotados e os maiores investimentos são sinais de que este segmento está «vivo e bem», aponta a Edited.

[©Instagram/@levis_pt]
As novidades no loungewear feminino diminuíram 3% comparativamente com o ano passado, ainda que este declínio tenha sido provocado somente por t-shirtis. Pelo contrário, todas as outras categorias registaram crescimento, principalmente as calças de fato de treino, que evidenciaram o aumento mais significativo, de 72%. De acordo com a empresa de análise de retalho, este crescimento deve-se à reação rápida das retalhistas de fast-fashion, especificamente no Reino Unido, como a Boohoo e a PrettyLittleThing.

No vestuário masculino, as novidades de loungewear subiram 34% em relação ao ano passado e as t-shirts com estampados e as camisolas com capuz revelaram-se as tendências mais dominantes.

Os produtos esgotados desta categoria demonstram que o loungewear continua em alta, assim como as vendas, para os dois géneros, a aumentarem anualmente – 9% para as mulheres e 68% para os homens. As leggings femininas de todos os tipos e feitios estão a ganhar popularidade entre os consumidores, enquanto as camisolas com capuz e as calças de fato de treino continuam a impactar o segmento masculino.

«Detalhes de design como um fit oversized, tie-dye e color-blocking provaram ser as tendências que mais geraram movimento até agora», indica a Edited.

Próximo capítulo

Apesar das tendências para o outono-inverno 2021/2022 terem antecipado razões para celebrar com vestuário festivo, houve também uma infinidade de coordenados em que as malhas saltaram à vista e o conforto foi essencial, um retrato que deixa antever o futuro da moda.

[©Instagram/@hm]
O próximo capítulo para o loungewear centra-se na evolução para uma vertente mais adulta e luxuosa, dois conceitos que estão já a ser o centro das apostas do marketing das retalhistas para os consumidores. Neste sentido, a Edited concluiu que as campanhas focadas em tecidos macios são mais bem recebidas no vestuário feminino e os tecidos French Terry na categoria masculina. Tons suaves e coordenados monocromáticos transmitem ainda uma mensagem premium, avança o relatório, que considera que o segmento masculino precisa de uma maior atualização.

O amarelo néon será também uma aposta para contrastar e energizar o vestuário confortável e os estampados e slogans vão decorar peças como camisolas de capuz e calções.

Para a Edited, os anos 90 vão influenciar o presente ao combinar calçado atual com «uma mistura equilibrada do passado e do futuro». E mesmo que as conjugações monocromáticas sejam o grande foco da próxima estação fria, as retalhistas podem tornar os visuais mais apelativos ao coordenar a roupa em camadas e combinar diferentes estampados para uma escolha mais arrojada, visto que a Edited considera que as insígnias devem também «aproveitar temas de escola preparatória».