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A união faz a força da ITV

No Origin Africa – que decorreu em meados de novembro e reuniu responsáveis e especialistas da indústria têxtil e vestuário – a principal conclusão auferida foi que os sectores algodoeiro, têxtil e vestuário africanos estavam a duplicar resultados, mas que uma abordagem colaborativa poderia ser mais eficaz. O evento foi organizado pelo African Cotton & Textiles Industries Federation (ACTIF) e juntou representantes de mais de 25 países. Terry Townsend, consultor da americana Cotton Analytics, que moderou o seminário de abertura, reconheceu que a integração regional é fundamental. «Em vez de ter indústrias nacionais separadas, cada uma produzindo basicamente as mesmas coisas em concorrência com as outras, uma cadeia de valor do têxtil e vestuário de algodão regionalmente integrada poderia levar a um maior valor para toda a região», explicou o responsável. Matthias Knappe, representante do International Trade Centre (ITC), acrescentou que essa estratégia devia ser elaborada por um vasto rol de atores da indústria (desde os agricultores, até aos empresários têxteis e governo), a quem devem ser dadas informações para tomarem a decisão correta. Knappe espera que a decisão certa irá aumentar a perceção internacional, às vezes negativa, do algodão africano. Knappe coordenou as discussões sobre como a experiência internacional poderia ajudar os organismos económicos regionais como o Common Market for Eastern and Southern Africa (COMESA) a implementar uma estratégia para o algodão. Por seu lado, Christoph Kaut, diretor administrativo da Aid by Trade Foundation – responsável pela iniciativa Cotton Made in Africa –, destacou como a sua organização poderia ser uma fonte de conhecimento, o qual poderia ser canalizado através de programas de desenvolvimento sustentável executados pelos governos africanos. Kaut prevê que o investimento na produção de têxteis da África Oriental e, em menor grau da África Ocidental, aumentará a procura por algodão produzido em África. Mas para que isso aconteça, o abastecimento de algodão africano precisa tornar-se mais fiável, de acordo com Fritz Grobien, um membro do Cotton Advisory Group para a Comissão Europeia. Os governos também devem retificar falhas nas suas políticas sectoriais do algodão e trabalhar para aumentar a baixa produtividade. Por sua vez, Margaret Karembu, diretora para a África do International Service for the Acquisition of Agribiotech Applications (ISAAAAfriCenter) afirmou na conferência que fornecer aos produtores de algodão africanos o acesso à biotecnologia poderia também aumentar o rendimento. Karembu acrescentou que, proibindo ou não permitindo a importação de culturas geneticamente modificadas, como o Quénia fez em 2012, os agricultores africanos não são competitivos. O algodão geneticamente modificado na África é cultivado no Sudão, Burkina Faso e África do Sul. Já Eduardo Peterlini, líder da equipa do EUAfrica Partnership on Cotton, defendeu que os programas internacionais de promoção da produção de algodão devem ser utilizados pelas indústrias de algodão africanas. Isto inclui os serviços oferecidos pela sua organização, os programas de desenvolvimento regional do algodão desenvolvidos pela COMESA, UEMOA (West African Economic and Monetary Union) e ECCAS (Economic Community of Central African States), e o apoio oferecido pela UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development) no âmbito do seu programa Pan African Cotton Road Map. Quanto à comercialização para os compradores, Mercedes Gonzalez, diretora da Global Purchasing Companies, aconselhou as empresas e designers africanos a estudarem de perto os compradores antes de lançarem as suas ideias. Mas Veit Geise, vice-presidente sénior de aprovisionamento na Ásia e na África da VF Corporation, sustentou que, de momento, a África precisa de ajuda através de acordos de livre comércio com países importadores desenvolvidos. Geise ressalvou que tais acordos devem ser de longo prazo.