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A união faz a força da Malhinter

A Malhinter duplicou o volume de negócios em cerca de quatro anos, numa estratégia que envolve a qualidade do produto, investimento, diversificação de mercados mas também o bem-estar dos trabalhadores, com quem reparte os lucros.

O universo atual da Malhinter tem já pouco a ver com a sua fundação, em 1985. A empresa começou por fazer apenas roupa interior mas três décadas volvidas, e já com a segunda geração a assumir o rumo, são peças em malha sofisticadas, para marcas como a Max Mara, All Saints, Madeleine e Claudia Sträter, que saem das suas máquinas de costura. «Começámos no segmento baixo mas fomos crescendo e sempre nos soubemos adaptar», revelou o administrador António Barroso na edição de maio do Jornal Têxtil.

Prova disso é a coleção que a especialista em confeção apresenta regularmente aos clientes, que serve de base para o desenvolvimento de propostas, mas também a conquista de novos mercados. A Europa Ocidental, nomeadamente França e Inglaterra, é atualmente o principal mercado da Malhinter, que exporta praticamente toda a produção, mas os EUA estão igualmente no caminho. «Já conhecemos o mercado americano, mas pensamos que estamos hoje em melhores condições do que teríamos no passado para ter sucesso», reconheceu o administrador. A prospeção está a ser feita diretamente – existem mesmo já encomendas – mas também através de uma empresa especialista no mercado, contratada para o efeito. «Estamos a abordar segmentos médios-altos, e num caso específico muito alto, e isso vai dar-nos muito mais notoriedade. Pode haver um efeito de contágio, será um ótimo cartão-de-visita», admitiu António Barroso.

No investimento é que está o ganho

A Malhinter tem crescido a dois dígitos nos últimos quatro anos, num trajeto que permitiu praticamente duplicar o volume de negócios. «Em 2016, o volume de negócios foi cerca de 9 milhões de euros. Houve um crescimento de 10% face ao ano anterior», afirmou o administrador.

Além dos investimentos na produção, onde consta um novo equipamento de corte da Gerber Technology para automatizar o processo, a administração da produtora de vestuário em malha, que conta ainda com Adriana Ferrão e Bruno Brandão, preocupa-se especialmente com os recursos humanos, como explicou durante a visita do presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão no âmbito do Roteiro Famalicão Made IN no passado dia 27 de abril. Com 150 trabalhadores, a Malhinter faz questão de dividir os lucros com os mesmos – num valor que em 2016 atingiu, no mínimo, 200 euros – e envolvê-los no seu sucesso. «É preciso tornar o sector mais interessante, mais azul. Torná-lo numa profissão em que as pessoas acreditem», explicou António Barroso. Uma estratégia que passa por «melhorar as remunerações, associar as pessoas ao sucesso da empresa, como estamos a tentar fazer, e tentar dar-lhes uma perspetiva de carreira de futuro», apontou.

Um fator importante numa altura em que a indústria têxtil e vestuário enfrenta alguma escassez de mão de obra disponível. «Sentimos muita dificuldade na contratação para a confeção e a área técnica, quadros intermédios. Costureiras não há e as que existem já estão em fim de carreira. Mas mesmo na área de controlo de qualidade, se a Malhinter não pusesse em prática há alguns anos uma formação interna, já não tinha neste momento totalmente preenchido as funções que necessitamos», confessou o administrador ao Jornal Têxtil.