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A união há-de fazer a força

O Fashion Designers 2000 – Fórum Internacional de Criadores do Têxtil e Vestuário teve lugar de 16 a 18 de Junho em Guimarães. Com dois painéis subordinados aos temas «A essência da moda e o desenvolvimento cultural» e «Causa-efeito do design na indústria têxtil e do vestuário», estabeleceu como objectivo estratégico do fórum um debate ao encontro das raízes profundas e culturais da moda.

O Fashion Designers 2000 é uma iniciativa integrada no programa Minho – Pólo de Excelência Têxtil, que tem como missão apostar na imagem dos seus produtos e na capacidade das empresas, tentando inserir o Minho no mapa têxtil comunitário e mundial.

O Fórum contou com cerca de 40 estilistas, entre os quais os mais importantes a nível nacional e os restantes internacionais provenientes de Inglaterra, França, Itália e Espanha, bem como com a presença de alguns empresários da região de vários sectores. O fácil entendimento que se gerou neste debate permitiu aos vários intervenientes falarem das suas experiências, desde alguns designers portugueses que, ao fazerem alianças estratégicas com empresários viram os suas próprias colecções progredirem, até a estilistas que mudaram para outros tipos de design, como por exemplo, design de vestuário para peças de teatro e ópera. Ao final de algum tempo de debate era claro que os estilistas estrangeiros já teriam passado por esta fase de definição que os nossos estilistas ainda procuram, visto que muitos deles trabalham para grandes casas ou já conseguiram uma gestão, marketing e canais de distribuição para os seus produtos, factores que faltam a muitos dos nossos estilistas.

Aproveitando-se a presença da DGI, foi proposto que às empresas fosse dado um financiamento dirigido unicamente para o sector de criação e design, promovendo uma maior facilidade de união entre os estilistas e empresas que, muitas vezes, não se procuram devido ao risco envolvido num tipo de aposta como esta.

Por um lado, a empresa que tem medo de apostar em estilistas que não vão de encontro à filosofia da empresa, do outro lado, o estilista que procura não perder o seu nome e a sua criatividade.

Para além de algumas alianças estratégicas já conhecidas no mercado, este Fórum proporcionou a oportunidade de juntar várias pessoas ligadas a este sector, passando também pelas escolas de formação que procuram hoje em dia dar algumas luzes aos seus alunos sobre gestão, marketing e merchandising, que são claramente factores em falta em Portugal.

Tendo chegado à conclusão que Portugal não é mais um país de mão de obra barata e que a capacidade produtiva é bastante elevada , não só a nível tecnológico, como também a nível de qualidade, visto que muitas empresas de nome reconhecido fabricam em Portugal, então a conclusão deste fórum ficou no facto de que não só é necessário saber pôr as empresas e os estilistas a conversarem, bem como o facto de Portugal ainda ter muito a progredir a nível de criação de uma boa imagem internacional que passa não só pela etiqueta «made em Portugal», mas também por um melhor marketing da nossa imagem.