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A vocação rentável de Carolina Bernardo

Foi com um «não» aos estágios não remunerados que Carolina Bernardo interpôs o «sim» ao início da sua marca. A designer de produto não se resignou ao que previa ser o seu fado e desenhou à mão um novo caminho recheado de cores que agora estampa nas suas coleções de vestuário.

Apesar da marca Carolina Bernardo ter apenas quatro anos, a ligação da designer de produto ao mundo dos negócios aconteceu muito antes. «Comecei isto em miúda, tinha 13 anos, ou seja, sempre fui fazendo coisas», conta a criadora de moda ao Portugal Têxtil.

O que começou pelo design de acessórios de moda, como pulseiras, evoluiu para cestas de praia e, posteriormente, para aplicações em peças de roupa até assimilar todo o processo na sua linha de produção.

Incentivada pelas valências adquiridas ao longo dos anos, Carolina Bernardo revela que a marca nasceu de uma «necessidade de criação para responder a lacunas no mercado, ou seja, peças que eu procurava para mim, mas que o mercado não me satisfazia».

Os padrões são desenhados à mão pela designer e tratados em Photoshop para serem replicados no processo de sublimação. A par do elemento «diferenciação» entra também em cena a «qualidade», cuja dinâmica entre os dois é algo de que Carolina Bernardo não abdica.

«Existem muitas marcas no mercado, mas a qualidade para mim é a primazia, acima de tudo eu aposto na distinção e na qualidade», assume a designer.

Ainda que o conceito de moda não tenha uma definição universal para ela, Carolina Bernardo admite que «a moda é um estilo próprio, é a forma de viver a vida, é uma forma de nos expressarmos», refugiando-se nos aspetos qualitativos dos materiais para construir a sua imagem. «Moda, mais do que tudo, é bons materiais, é uma boa qualidade, é uma boa apresentação, é o dito conforto e a ergonomia», aponta.

As suas coleções de moda são transversais a todas as idades e desenvolvidas com base no pragmatismo feminino. «As minhas peças têm que ser fáceis de vestir e fáceis de cuidar, as mulheres não têm tempo para ir à lavandaria, ou seja, tento encontrar tecidos que se amachuquem pouco e de ótima qualidade», destaca Carolina Bernardo.

A estratégia elaborada para a marca passa por manter a loja online e trabalhar para o canal multimarca físico, recorrendo à presença em duas feiras internacionais – Modtissimo, em Portugal e Momad em Madrid –, para ganhar mais visibilidade e encontrar potenciais clientes.

Registando um crescimento que se desloca em curva ascendente, a jovem empresária confessa que para sustentar um negócio é necessário ter «uma costela muito grande de gestora», partindo do princípio que «tem que existir estratégias de negócio, temos que fazer contas para poder investir, poder extrapolar e fazer o nosso negócio crescer. Portanto, eu sou assim uma espécie de meio/meio, meio artista e meio gestora».

Com o objetivo proposto de «ter uma boa qualidade de vida», Carolina Bernardo espera crescer e, um dia, aumentar a equipa sem «nunca ter um estagiário não remunerado porque toda a gente tem o seu valor».