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«A Zippy orgulha-se de ter muito produto feito em Portugal»

À margem do evento de apresentação da nova imagem da Zippy, Margarida Nascimento, diretora de produto, revelou ao Portugal Têxtil o novo posicionamento da marca infantil e a estratégia de sourcing que está atualmente implementada, onde Portugal pode desempenhar um papel cada vez mais importante.

Os estudos realizados no ano passado permitiram segmentar melhor o consumidor-alvo da marca infantil e deram origem à sua nova imagem visual e posicionamento, resumido na assinatura “We go together”, que foi apresentado no passado dia 27 de junho na Casa da Arquitetura, em Matosinhos (ver Zippy revela nova atitude).

Mas a estratégia da Zippy, que quer aumentar em 44% as vendas nos próximos três anos, passa também pelo canal online, onde a reatividade ganha maior relevância.

Margarida Nascimento, diretora de produto da Zippy, explicou ao Portugal Têxtil a forma de atuar da marca infantil atualmente, anunciando ainda a possibilidade de aumentar as compras em Portugal, onde a qualidade e a capacidade de resposta rápida são trunfos que a Zippy quer usar.

A Zippy realizou estudos no ano passado para conhecer melhor os seus clientes. O que motivou esse investimento?

A Zippy está a passar um processo muito ambicioso de se tornar uma marca global e, para uma marca infantil, definimos duas bases. Uma tem a ver com a gestão do estilo e outra tem a ver com ir de encontro às preocupações dos pais. Não apenas no aspeto, mas também nas funcionalidades que as peças têm e que fazem com que os pais fiquem muito mais relaxados na sua abordagem de pai ou de mãe. E este é o nosso objetivo, é fazer com que não seja apenas mais uma roupa, apenas mais uma peça, mas seja aquela peça que ajuda a criança a ir sozinha à casa de banho, que ajuda a criança a calçar-se sozinha e é muito gira, é acessível, mas tem esse “plus”, esse lado a mais.

Que características se evidenciaram nesses estudos?

A primeira coisa que ficou claro para nós é que as preocupações dos pais não são sempre as mesmas. E, portanto, nós, se calhar, achávamos que o preço era sempre fundamental. Ele é importante, mas não é a dimensão mais importante. E isso ajuda-nos a tomar decisões quanto ao produto. O que é que é mais importante? É ter um preço mais baixo ou cumprir a função? Tem que cumprir a função. E para nós foi muito clarificador. Consoante as etapas da criança, o preço toma uma relevância maior ou menor. Se os pais estão numa altura emocional, obviamente que ninguém quer gastar dinheiro à toa, querem comprar bem. E é essa a nossa proposta. Mas a parte emocional faz com que possamos investir um bocadinho mais nas peças que estamos a apresentar. Já quando estamos a pensar num regresso às aulas, em que os pais têm que comprar os livros e a roupa, e precisam de várias coisas porque as crianças entretanto cresceram e já nada lhes serve, a Zippy tem que perceber que o orçamento é limitado e, portanto, não vale a pena estar a carregar as peças com muitas coisas que as vão tornar mais caras – elas têm que cumprir a função e ser acessíveis. Tudo isto nos ajuda, enquanto equipa de produto, a pensar a nossa proposta em função daquilo que os pais precisam.

Em termos de matérias-primas, há uma aposta reforçada na vertente ecológica, com o algodão orgânico e os reciclados. Porquê?

Quando fizemos este estudo, no ano passado, sobre o lifestyle das famílias, a forma de estar e os seus valores, percebemos que, independentemente de serem famílias com uma estética e valores mais tradicionais ou mais não-tradicionais ou mais contemporâneos, há uma corrente de fundo que já é transversal a todos os lifestyles, que tem a ver com a tecnologia e o ambiente. Portanto, não é uma questão de moda, não é uma questão de uma tendência que entra e sai. É mesmo uma evolução da sociedade que faz com que as pessoas tomem consciência que estão num planeta com recursos finitos. A Zippy, quando quer trazer coisas de algodão orgânico, quer que sejam mesmo coisas de algodão orgânico e que sejam feitas com processos que não poluam o ambiente. Porque podemos pegar em algodão orgânico, pôr-lhe tintos que estragam o ambiente, fazer em fábricas que não tratam os efluentes, … Não é isso que queremos, de todo. Portanto, quando pomos a etiqueta algodão orgânico, o processo é orgânico, o algodão é orgânico e produzimos em fábricas certificadas. Isto é um processo muito exigente, que, infelizmente, ainda não conseguimos colocar em todos os produtos. Obviamente que os nossos fornecedores são fornecedores que tratam os efluentes, que cumprem todas as normas ambientais, mas achamos que temos o dever de fazer muito mais. E isto é um caminho que está a começar. O “#wecare” não é só a questão intrínseca do produto, o ser algodão orgânico, reciclado ou o que quer que seja, mas também é na perspetiva daquilo que colocamos no produto para proteger as crianças. E isto é um fator distintivo da Zippy: o tratamento antimosquito feito em Portugal, um tratamento UV em artigos 100% algodão, que são cores e tintos estudados especificamente para conseguirem um grau de cobertura de fator 30, em laboratórios testados… Tudo isto tem uma carga técnica e um know-how técnico muito grande que queremos promover, achamos que é importante.

A marca também anunciou a introdução mais frequente de peças em loja, com menos ênfase na lógica sazonal. Quais foram as razões subjacentes a tal decisão?

Hoje em dia nem sabemos bem isso das estações: é inverno, é verão… Temos mesmo que ser muito flexíveis. Temos também uma coisa muito interessante que é o facto de estarmos a expandir-nos em países de sazonalidade inversa. Portanto, acabamos por ter verão todo o ano e inverno todo o ano, porque as sazonalidades, como são invertidas, fazem com que a Zippy tenha que pensar mais numa dinâmica de coleções, minicolecções, o estilo, onde a identidade de cada grupo de coleções vai permitir-nos também responder globalmente ao mercado. O gosto é uma questão cultural e, portanto, o facto de estarmos a trabalhar vários estilos, faz com que seja mais fácil até para os nossos parceiros dizerem-nos o que é que precisam, porque pode ser uma t-shirt mas pode ter estilos diferentes. Por isso estamos mesmo a preparar-nos para sermos globais e esta lógica de minicolecções faz todo o sentido nesse contexto.

Onde é efetuado o sourcing dos artigos Zippy?

O nosso sourcing está dividido em dois polos. Por um lado, o Extremo Oriente, sem dúvida, porque somos uma marca acessível e não podemos fugir dessa realidade. Nesta altura, o Extremo Oriente representa à volta dos 70%-75%. Depois temos entre 25% e 30% que é feito em Portugal. A Zippy orgulha-se de ter muito produto feito em Portugal, desde malhas circulares a tricotados, temos puericultura que é feita em Portugal, temos têxteis-lar que são feitos em Portugal. A qualidade dos produtos é francamente superior, os PVPs [preço de venda ao público] também estão no topo da nossa pirâmide de preço, é verdade, mas o cliente percebe a diferença, valoriza essa diferença e está disposto a pagar um bocadinho mais. E nós consideramos que, para o produto que estamos a oferecer, é uma excelente proposta de valor. Portanto, o nosso objetivo é continuar a produzir em Portugal sempre que for possível.

Há perspetivas de aumentar as compras em Portugal?

Há perspetiva de aumentar. Porquê? Porque estamos a crescer no digital e estamos a crescer no wholesale. E as plataformas digitais e mesmo o canal wholesale precisam de lead times mais curtos. E nós vamos ter que encontrar formas inteligentes de conseguir manter-nos acessíveis, mas com uma capacidade de resposta mais rápida. O facto de estarmos muito dependentes do Extremo Oriente faz com que a nossa resposta seja mais lenta. E se uma parte da coleção é mais estável e é previsível, estamos com crescimentos muito acelerados e só vamos conseguir aproveitá-los se formos capazes de entregar mais depressa.