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Abrira Mexico el mercado?

Os empresários europeus podem contar com uma entrada mais fácil num dos maiores mercados emergentes do mundo.

Após a assinatura de um acordo de comércio livre da União Europeia com o México, fica mais acessível um mercado de mais de 93 milhões de consumidores, dos quais mais de 8 milhões se encontram concentrados no Distrito Federal. Apesar da desaceleração registada no crescimento da economia mexicana nos últimos três anos, esta continua a ter um potencial apelativo para os produtos de qualidade e com imagem de marca fabricados no espaço da UE. Com um consumo de vestuário superior a 400 milhões de contos, em 1998, e uma emergente classe média, que valoriza a imagem dos produtos europeus, o acordo de comércio livre permitirá às empresas europeias escoar os seus produtos beneficiando de uma redução dos direitos aduaneiros, que entrará em vigor a 1 de Julho do presente ano.

Contudo, o acordo assinado entre a UE e o México, levanta sérias questões sobre a sua reciprocidade, nomeadamente no que se refere à liberalização do comércio de têxteis e vestuário. De facto, o acordo não prevê uma redução simétrica dos direitos aduaneiros. A União Europeia, partindo de direitos aduaneiros que à partida já são inferiores aos do México, comprometeu-se a uma redução muito mais acelerada dos seus tarifários do que a redução acordada pelo México.

Segundo estimativas do Departamento de Estudos do CENESTAP, assumindo um perfil das exportações da UE idêntico ao registado em 1997, a tarifa média para a entrada no mercado da União Europeia rondava, antes do acordo, os 7,6%. Após a implementação do acordo, esta será reduzida inicialmente para 5,3%, para em 1 de Janeiro de 2001 se assistir a uma nova redução para 3,5%.

Em 2002 os direitos alfandegários serão de apenas 1,8%, acabando-se em 2003 qualquer tipo de barreira alfandegária à entrada dos produtos têxteis e vestuário mexicanos na União Europeia. Relativamente às exportações da União, com destino ao México, a taxa média, não ponderada, dos direitos alfandegários ronda actualmente os 16,1%. No momento da entrada em vigor do acordo, esta será reduzida aproximadamente para 11,0%, para em 1 de Janeiro de 2001 sofrer uma nova redução até aos 7,7%. As taxas médias calculadas para os direitos aduaneiros a pagar pelos produtos europeus passarão então para 5,3% em 2002, 3,6% em 2003, 2,7% em 2004, 1,4% em 2005, 1,0% em 2006 e aproximadamente 0% em 2007. Verifica-se assim a existência de um período de quatro anos durante os quais os produtos mexicanos entrarão livremente no espaço da União Europeia, mas em que os produtos europeus ainda terão de pagar direitos aduaneiros para entrarem no mercado mexicano.

É de salientar que nos termos do acordo o México propõe-se a abrir de forma mais rápida o seu mercado aos produtos têxteis do que ao vestuário, limitando assim, de alguma forma, as hipóteses dos produtores europeus beneficiarem da sua imagem de qualidade e design para penetrarem no mercado mexicano. Contudo, analisando o valor das exportações da UE para o México ao longo dos últimos dois anos, verifica-se que é justamente nos produtos têxteis que a UE consegue ser mais competitiva. As exportações de têxteis atingiram, em 1998, os 36,7 milhões de contos, tendo crescido para os 41,4 milhões de contos em 1999, ou seja, um crescimento de 12,8%.

Relativamente ao vestuário, as exportações da UE cresceram mais de 5,7%, passando de 18,7 milhões de contos em 1998 para 19,8 milhões em 1999. Por sua vez, as exportações do México para a UE apresentaram uma ligeira redução, da ordem dos 6,6% entre 1998 e 1999. Em sintonia com o perfil das exportações da UE, o México exporta igualmente mais têxteis do que vestuário. Em 1998 mais de 79% das exportações mexicanas eram compostas por têxteis, reduzindo-se este valor para 74% em 1999. O valor total das exportações mexicanas de têxteis e de vestuário para a UE era relativamente reduzido, atingindo em 1999 apenas os 19 milhões de contos.

A União Europeia representava, em 1999, apenas 1% do total das exportações mexicanas de têxteis e vestuário. A forte ligação da indústria têxtil e do vestuário mexicana com os Estados Unidos, provocada em grande parte pelas concessões obtidas graças ao acordo de comércio livre com os EUA e Canadá potenciou o desenvolvimento de uma indústria que, em 1999, exportou mais de 1.900 milhões de contos de produtos, dos quais mais de 1.400 milhões eram compostos por artigos de vestuário. Ao mesmo tempo, o México importava mais de 1.600 milhões de contos de têxteis e vestuário, compostos na sua maioria por fios e tecidos para posterior transformação na indústria maquiladora.

Segundo um estudo elaborado pela União Europeia, os principais exportadores de têxteis e de vestuário da UE estimam que o levantamento das barreiras ao comércio existentes até ao momento, no mercado mexicano, poderiam significar um aumento de entre 5% a 25% no total das exportações comunitárias para o México.

Existe, porém, um nicho de mercado no qual as empresas da UE já são de facto competitivas (apesar das barreiras existentes) e no qual poderão obter fortes proveitos com a abertura do mercado. De facto, a indústria automóvel mexicana consome uma elevada quantidade de têxteis técnicos, importando por ano mais de 89 milhões de contos, dos quais cerca de 10% provinham da UE. Por outro lado, acentuam-se as vantagens da subcontratação de confecção de vestuário no México, beneficiando de um custo de mão de obra relativamente reduzido e, no curto prazo, da entrada livre de direitos no mercado da UE.