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Abriu a caça aos saldos

Após os habituais excessos efectuados durante a quadra natalícia, não são muitos os euros que sobram nas carteiras dos portugueses para mais uma dose de compras. Todavia, há quem tenha por hábito guardar algumas economias para “os saldos”, que na maioria dos países anglo-saxónicos iniciou-se na passada quarta-feira. No chamado "boxing-day" – o mais agitado do ano para os comerciantes – os preços caíram entre 10 a 60 por cento e os consumidores foram contagiados pela febre consumista, com uma desenfreada corridas às lojas. Portugal não é excepção, e a época oficial de saldos no comércio de retalho inicia-se hoje, 28 de Dezembro, dando assim a oportunidade aos consumidores de realizar mais algumas compras da quadra festiva, a preços mais atractivos. Tendo em conta este factor, a APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) lançou uma campanha publicitária para atrair os consumidores espanhóis. Com o mote “Siga esta Estrela”, foi criada uma rede de publicidade exterior, assim como alguns “spots” que estão a passar nas principais rádios do país vizinho para anunciar o início da época de saldos nacional, que desta feita começa mais cedo que as “rebajas” espanholas. «Dar a conhecer o novo período de época de saldos e apelar às últimas compras antes do Dia de Reis – a data de troca de prendas em Espanha – é o objectivo da iniciativa da APED que reforça o compromisso em divulgar e estimular o comércio português dentro e fora do País», referiu em comunicado, Luís Vieira e Silva, presidente da APED. A actual lei (DL 70/2007) para os saldos no comércio entrou em vigor a 25 de Abril deste ano revogando a lei anterior. Desta forma, os saldos passarão a realizar-se unicamente de 28 de Dezembro a 28 de Fevereiro (em vez de 7 de Janeiro a 28 de Fevereiro), e de 15 de Julho a 15 de Setembro (em vez de 7 de Agosto a 30 de Setembro). Para além de antecipar e prolongar os períodos de saldo, o referido decreto-lei «actualiza as multas e proíbe a utilização, durante as vendas com reduções de preço, de outros termos que não sejam "saldos", "promoção" ou "liquidação"», salienta a nota da APED. Deste modo, as designadas promoções não são sinónimo de saldos e destinam-se, unicamente, a incrementar a venda de um determinado artigo ou ao lançamento de um produto novo, não podendo acontecer em simultâneo com os saldos. Já, as liquidações têm "carácter excepcional" e só devem realizar-se em caso de interrupção da actividade no estabelecimento. Ainda assim, em território nacional houve quem não conseguisse esperar tanto tempo e as promoções já enfeitam as montras de algumas lojas desde Novembro. Contudo, os comerciantes nacionais continuam pessimistas e concordam, na sua generalidade, que «a crise está instalada e as vendas deste ano ficaram longe das expectativas».