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Activewear cresce na instabilidade de 2021

A pandemia foi sinónimo de mudança nas tendências de consumo, cuja irregularidade se manterá em 2021. No entanto, as certezas concentram-se à volta do crescimento das retalhistas de activewear neste novo ano, superando os resultados de 2020. A retoma deste segmento, mesmo assim, não atingirá o desempenho verificado em 2019.

[©Sourcing Journal]

Depois de um ano de 2020 atípico, que provocou muitas adversidades aos negócios para além da saúde, a entrada no novo ano não foi sinónimo de tantas melhorias como se projetava. Não obstante, com o arrancar do programa de vacinação, que estar a ser um processo mais lento do que as autoridades estimavam, a esperança permanece para o que aí vem.

Matt Powell, vice-presidente e consultor sénior da indústria de desporto no NPD Group, considera que as tendências em 2021 estão sujeitas a «muitos impactos» que, mesmo assim, não vão interferir com o aumento de um dígito nas vendas de calçado desportivo e activewear, superando, por isso, o nível de vendas destes artigos no ano passado, mas num valor inferior ao de 2019.

«Temos de estar preparados para o facto de as tendências de vendas serem irregulares. Os picos de 2020 serão difíceis de compensar, enquanto as baixas criarão uma falsa sensação de bem-estar. Sem um subsídio de desemprego adicional, os meses de verão, em particular, vão ser desafiantes. As marcas que beneficiaram com o aumento dos lançamentos limitados vão ter dificuldade em ter um crescimento anual», explica Matt Powell, citado pelo Sourcing Journal.

As previsões do vice-presidente e consultor sénior da indústria de desporto no NPD Group apontam para a liderança do calçado de performance, de corrida e caminhada, enquanto as sweaters e as partes de baixo destinadas a atividades físicas como as calças e leggings vão ser o combustível do activewear, sustentado pelo elevado nível de preocupação dos consumidores com as práticas de vida saudável. Ainda que possam não conseguir ficar em forma, «vão, pelo menos, comprar e vestir-se como se estivessem», afirma Matt Powell, que destaca o aparecimento de novas marcas de vestuário desportivo por esta razão, o que gera maior concorrência no mercado.

Com a crescente procura por transparência e ativismo em questão sociais, os compradores da geração Z vão continuar inabaláveis, «convertendo-se numa força ainda maior no retalho desportivo», avança o consultor. Conceitos específicos, como é o caso da sustentabilidade, vão regressar «mais fortes do que nunca», motivo pelo qual as marcas e retalhistas vão ter de trabalhar mais neste sentido e adotar uma abordagem transparente na relação com os consumidores. O mote «menos é mais», consolidado por esta geração, vai dar prioridade a produtos práticos e versáteis ao invés de artigos de uso único.

Estímulos de esperança

A curto prazo, os cheques de incentivos de 600 dólares (cerca de 497 euros), no âmbito do projeto de alívio ao coronavírus, recentemente aprovados, atuaram como uma potencial fonte de esperança, já que, na edição de janeiro da National Retail Federation’s (NRF), o economista-chefe Jack Kleinhenz refere que a associação espera que os novos estímulos monetários aumentem os gastos nas vendas de retalho. «Os consumidores responderam rapidamente aos cheques de incentivos da última primavera e a distribuição dos novos cheques vai chegar num momento crítico, que ajudará a levar o entusiamo de 2020 para 2021», acredita Kleinhenz.

[©NPD Group]
Pelo contrário, Matt Powell alega que os estímulos projetados de 600 dólares vão ter pouco impacto no retalho desportivo. «Com base na minha análise com os cheques anteriores, muitos destinatários aplicaram esse dinheiro para pagar dívidas anteriores ou aumentar as economias», admite Powell, assegurando que ainda que as notícias da vacina sejam «certamente encorajadoras, está claro que vai demorar meses até os níveis do retalho desportivo voltem à normalidade».

Segundo os dados da NRF, as vendas de retalho nos primeiros 11 meses de 2020 aumentaram 6,6%, comparativamente ao período homólogo do ano anterior, com as retalhistas de vestuário tradicional a ficarem para trás, graças à queda anual de 19,2%.

As consequências do crescimento desta tendência têm-se manifestado há vários meses com o encerramento contínuo de várias lojas. Exemplo disso é a Calares, empresa de calçado americana, que anunciou, no final de novembro, que iria fechar 133 lojas com a marca própria de calçado feminino Naturalizer. Depois de 137 espaços físicos terem fechado portas, a cadeia de moda feminina Francesca’s assinalou outras 97 lojas a encerrar. Também a americana Macy’s confirmou o plano de supressão de 45 espaços físicos.

Com base nos resultados «ligeiros» do ano passado, Matt Powell antecipa que mais lojas fechem portas. «Provavelmente vai haver menos lojas de retalho de desporto no final de 2021 do que as que encerraram em 2020 e as fusões e aquisições serão aceleradas», prevê Matt Powell.

À semelhança do que tem vindo a acontecer com o reforçar do digital, o comércio eletrónico vai continuar a ser o principal motor das vendas, fazendo com que os negócios das marcas de venda direta ao consumidor continuem. Os modelos de negócio que carecem de uma plataforma de venda online sólida vão ter desafios acrescidos, numa altura em que à medida que mais lojas encerram permanentemente, o comércio eletrónico ganha ainda mais peso, conclui Powell.