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Adalberto rastreia energia

Um investimento em painéis fotovoltaicos, que deverá ficar concluído brevemente, e uma parceria com a Acciona, que faculta a rastreabilidade da energia consumida, permite à Adalberto afirmar-se como neutra em carbono.

Atualmente, a empresa consome apenas «energia verde», garantiu a CEO da Adalberto, Susana Serrano [atual CEO da Acatel]. «Toda a energia que consumimos é proveniente de parques eólicos, não de centrais elétricas como a maior parte das empresas», explicou.

O feito foi conseguido através de uma parceria com a espanhola Acciona, com a Adalberto a usar a solução Greenchain, que possibilita o rastreamento, com tecnologia blockchain, da energia consumida pela empresa. «Sabemos ao certo de que parque eólico estamos a consumir energia. Sabemos ligar o nosso consumo à mais-valia de que estamos a contribuir com a parte da energia em termos de sustentabilidade ambiental. Sabemos exatamente quantas árvores é que serão plantadas para a energia que consumimos e quantos carros é que efetivamente conseguimos retirar, numa comparação, usando essa energia verde», indicou Susana Serrano. No primeiro trimestre do ano, a Adalberto retirou o equivalente a 25 veículos e captou o mesmo CO2 que 454 árvores captariam durante os próximos 25 anos.

A empresa afirma-se ainda como a primeira a nível mundial a permitir que qualquer cliente possa verificar não só a origem das matérias-primas da peça que compra, mas também a quantidade de energia que foi gasta a produzi-la.

A somar a esta parceria, a Adalberto está a investir em energia fotovoltaica de produção própria. O projeto, que implica um investimento superior a meio milhão de euros, prevê a instalação de 2.186 painéis, que terão uma capacidade nominal de 800 megawatts, equivalente a 40% a 45% da energia consumida atualmente pela empresa. «Estamos agora em obras de reabilitação do telhado, porque era necessário para conseguir ter resistência para os painéis. Estamos a terminar as obras e a ideia é a meio de julho e início de agosto instalarmos os painéis», revelou.

Antecipando um retorno a quatro anos, este investimento em energia fotovoltaica deverá ser único, até porque «não adianta instalarmos mais painéis – tem a ver com o nosso perfil de consumo energético», esclareceu Susana Serrano, mas salientou que as apostas na sustentabilidade não se ficam por aqui. «Temos um projeto, que ainda não está terminado, para fazer a reutilização de 100% da nossa água», apontou, assim como «estudos que estão a ser feitos internamente por causa dos tingimentos – estamos a diminuir as relações de banho». No fundo, «há uma série de ações em curso já decorrentes do nosso plano de sustentabilidade a cinco anos», incluindo a otimização dos consumos energéticos dos equipamentos, afirmou.

2021 de recuperação

Depois de um ano de 2020 «assustador, tanto a nível físico, quer a nível psicológico, porque exigiu uma capacidade de resiliência muito grande», em que a empresa fechou com um volume de negócios acima dos 30 milhões de euros, 2021 tem-se mostrado mais favorável para a Adalberto, segundo Susana Serrano. «Terminámos bem o ano passado devido às máscaras têxteis», reconheceu, com resultados igualmente positivos nos têxteis-lar. «Quem sentiu efetivamente a pandemia foi a parte de moda, a parte de vestuário e de tecido a metro, que foi efetivamente aquela onde sentimos uma quebra muito grande, mas que conseguimos colmatar com a venda das máscaras e dos têxteis-lar. Este ano, apesar de não estarmos ainda no objetivo que tínhamos estipulado, porque entretanto voltamos a entrar todos em confinamento, as coisas estão a correr bem. Estamos melhor do que o ano passado e do que em 2019», avançou Susana Serrano, embora «ainda aquém dos nossos objetivos», ressalvou.