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Adidas a todo o gás

A gigante de vestuário e calçado desportivo Adidas vai acelerar os seus processos e investir na inovação para que cerca de metade dos seus artigos possa cumprir o ciclo da fábrica à loja em apenas 45 dias.

O novo conceito Speedfactory da empresa alemã (ver Calçado nas mãos de robots) concentra-se na produção automatizada e local e, atualmente, opera a partir de uma primeira unidade industrial na Alemanha, com uma segunda em Atlanta, nos EUA, em pleno funcionamento até ao final de 2017.

Esta e outras iniciativas serão capazes de melhorar significativamente os prazos e os stocks, de acordo com a Cowen & Co. Os analistas da Cowen & Co observam que, atualmente, apenas 10% do negócio da Adidas tem um ciclo da fábrica à loja de 45 dias.

«O objetivo é subir para uma percentagem de 50% do negócio nos próximos anos, o que desempenha um papel significativo na melhoria da margem bruta», e um crescimento das vendas a preço total, destacam em declarações ao portal Just-style.

As instalações devem também aumentar os lançamentos de produtos de edição limitada «que melhoraram a perceção de marca».

«A Adidas reconheceu que precisava de melhorar a perceção de marca entre os atletas em idade escolar ou universitária, concentrando-se em campanhas de marketing combinadas com o endosso a atletas-chave», acrescentam os analistas.

Os analistas acreditam ainda que a Adidas tem vindo a roubar quota de mercado às rivais Nike e Under Armour na América do Norte graças ao recrutamento de três designers ex-Nike para o seu novo estúdio criativo em Brooklyn.

Deste modo, os analistas da Cowen & Co antecipam um crescimento de vendas a dois dígitos na América do Norte em 2017 para a Adidas, incremento que deverá pressionar ainda mais a Nike e a Under Armour.

A boa matemática da empresa alemã está também a ser acompanhada pela reestruturação anunciada pelo novo CEO do grupo Adidas, Kasper Rorsted, do negócio da Reebok (ver Adidas: novo CEO, nova estratégia).

O CEO, que entrou em funções em agosto último, afirmou no final do ano à revista Fortune que a empresa está empenhada em investir no crescimento futuro da marca e que irá despender 30 milhões de euros na reestruturação da Reebok. Rorsted revelou ainda que as prioridades iniciais eram continuar a reviravolta da empresa nos EUA e fortalecer o negócio online.

A primeira grande decisão foi redefinir a organização do grupo no mercado norte-americano: tornando a Reebok independente da Adidas, deslocando 650 funcionários para uma nova unidade em Boston, cortando 150 empregos e acelerando o encerramento de lojas.

No ano passado, a Adidas esteve ainda por trás de alguns dos modelos de calçado desportivo de maior sucesso, dominou graças a colaborações populares e foi eleita a marca mais cool de 2016 (ver Adidas tem o fator cool).

Como resultado, durante os primeiros nove meses de 2016, as vendas cresceram 17,5%, apesar do encerramento de importantes cadeias desportivas, como a Sports Authority.

A inovação, por sua vez, continua a orientar a corrida da marca. Recentemente, a Adidas abriu uma nova loja experimental em Nova Iorque (ver Duelo de gigantes), estreou um par de sapatilhas produzido a partir de seda de aranha sintética (ver Aranha tece inovação na Adidas) e vendeu os primeiros pares impressos em 3D.