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Adidas e Nike com um pé fora da China

A Adidas tem vindo a reduzir a quota de sapatilhas produzidas na China, garantindo atualmente nos parceiros chineses metade dos pares de há uns anos. O Vietname absorveu a maioria do negócio. Já a Nike substituiu mesmo a China pelo Vietname como principal mercado de aprovisionamento.

As duas gigantes desportivas estão entre as principais empresas de vestuário e calçado que têm garantido grande parte do seu aprovisionamento no Império do Meio. Entretanto, o país começou a concentrar-se em artigos de valor acrescentado – como dispositivos eletrónicos, motivando o recrutamento de mão-de-obra qualificada e o consequente aumento dos salários – e a dar menos valor aos negócios da indústria de mão-de-obra intensiva.

As marcas internacionais também começaram a recorrer a outros países asiáticos de baixos salários. A título de exemplo, o salário mínimo no sul da cidade de Shenzhen está agora nos 336 dólares mensais – mais do dobro de alguns países do Sudeste Asiático.

Este alargamento do mapa de sourcing das marcas começou a ganhar força há uns anos, mas as novas geografias da Nike e da Adidas, as duas maiores marcas desportivas do mundo, são responsáveis por uma nova dinâmica no continente asiático. O Vietname, por exemplo, comparativamente à China, produz agora mais do dobro de sapatilhas da Adidas. A Nike depende mais da China em termos produtivos do que a sua arquirrival, mas também está a contar, cada vez mais, com o Vietname.

Rumo ao Vietname

O Vietname, de resto, é o país que mais tem beneficiado com o reposicionamento da China. Entre as empresas norte-americanas de moda, «o modelo de aprovisionamento mais comum está a mudar de “China Plus Many” para “China Plus Vietnam Plus Many”», revelou a Associação da Indústria da Moda Norte-Americana numa pesquisa de 2017. «O portefólio típico de sourcing é hoje de 30% a 50% na China, 11% a 30% no Vietname e o restante noutros países», acrescentou.

Contudo, o fenómeno não atinge apenas as marcas norte-americanas. A Uniqlo, a maior retalhista de moda do Japão, multiplicou os principais fornecedores no Vietname em cerca de 40% no último ano, estando a procurar ativamente opções além da China.

A produção está mesmo a espalhar-se para outras regiões da Ásia, alcançando a Indonésia, entre outros países. No ranking da Adidas, a China surge na terceira posição como fornecedora de calçado, a Indonésia ocupa a segunda, atrás do Vietname.

Já no ano passado, uma pesquisa junto de 34 executivos das principais empresas de norte-americanas moda constatou que, pela primeira vez, o número de marcas norte-americanas que se aprovisionava na China tinha descido, apesar de o país continuar a ser o principal destino de sourcing para o sector à escala global (ver China em apuros).

Numa reunião anual de acionistas, no passado dia 9 de maio, Kasper Rorsted, CEO da Adidas, desconsiderou o receio perante a imposição de novas taxas aos produtos produzidos na China por parte dos EUA – o maior comprador mundial de calçado desportivo. «A China continua a ser importante para o aprovisionamento», garantiu Rorsted, «mas o Vietname está a crescer e esta tendência vai continuar», sublinhou.