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Adidas leva Speedfactories para a Ásia

Pensadas inicialmente para aproximar a produção dos mercados de consumo e responder rapidamente às tendências, as Speedfactories da Adidas na Alemanha e nos EUA vão encerrar no próximo ano. A tecnologia será encaminhada para dois dos fornecedores da marca na Ásia.

A gigante do sportswear Adidas acaba de anunciar que a produção nas suas Speedfactories na Alemanha e nos EUA será descontinuada no próximo ano, no seguimento de planos para lançar as tecnologias da Speedfactory em dois dos seus fornecedores asiáticos no final de 2019.

Em comunicado, a Adidas revela que a produção nas suas duas Speedfactories, em Ansbach, na Alemanha, e em Atlanta, nos EUA, vai terminar, «o mais tardar», em abril de 2020.

O conceito de Speedfactory usa tecnologia robótica em células de produção modulares e automatizadas, que juntam resposta rápida com flexibilidade para oferecer produtos customizados para consumidores individuais. Com as suas linhas de produção automáticas, flexibilidade de produção e proximidade aos consumidores, a Speedfactory permite acelerar o tempo de chegada ao mercado – três vezes mais rápido do que os tempos de produção normais –, permitindo uma resposta mais imediata às tendências e às mudanças no mercado. Outros benefícios incluem a transição para a customização em massa, eficiência e uma maior sustentabilidade, uma vez que permite trazer a produção para mais perto do consumidor final e, como tal, reduzir os custos de transporte.

«As Speedfactories foram instrumentais para aprofundarmos as nossas capacidades de produção e inovação. Através de tempos mais curtos de desenvolvimento e produção, proporcionámos a clientes selecionados produtos híper-relevantes para momentos que fazem a diferença. Este era o nosso objetivo desde o início. Somos agora capazes de juntar esses conhecimentos a outros avanços feitos com os nossos fornecedores, aproveitando completamente estas tecnologias para sermos mais flexíveis e económicos, ao mesmo tempo que expandimos a gama de produtos disponíveis», explica Martin Shankland, diretor do conselho executivo da Adidas AG, responsável pelas operações globais.

Novos modelos

A partir do final deste ano, a Adidas vai usar as tecnologias da Speedfactory para produzir calçado de desporto em dois dos seus atuais fornecedores na Ásia e espera que esta ação resulte «numa melhor utilização da capacidade de produção existente» e mais flexibilidade no design de produto.

Num email citado pelo Quartz, Rich Efrus, porta-voz da Adidas, afirmou que faz mais sentido para a empresa concentrar a sua produção Speedfactory na Ásia, «onde está o know-how e os fornecedores» e onde a Adidas produz já mais de 90% dos seus produtos.

A empresa acrescentou que os seus consumidores vão ser beneficiados, uma vez que a combinação das capacidades técnicas dos fornecedores asiáticos com novos métodos de produção desenvolvidos nas suas Speedfactories em Ansbach e Atlanta, vão permitir mais variações de modelos de calçado da Speedfactory no futuro.

«Estes continuarão a ser caracterizados por um tempo de produção curto, permitindo à empresa responder rapidamente às necessidades dos consumidores», aponta a Adidas, acrescentando que no futuro vai concentrar os seus recursos e capacidades ainda mais na modernização dos seus outros fornecedores e na utilização de tecnologia 4D na produção de calçado.

No futuro, não serão apenas os ténis de corrida que poderão ser produzidos num curto período de tempo usando os processos de produção testados nas Speedfactories, mas também modelos de outras categorias.

Alemanha mantém inovação

Contudo, a Adidas assegurou que vai continuar a desenvolver, a melhorar e a testar os processos de produção na Alemanha, com técnicas de inovação impulsionadas na unidade produtiva da Adidas em Scheinfeld, os chamados adiLab.

A empresa reforçou ainda que vai continuar a sua colaboração com a Oechsler, a operadora de ambas as Speedfactories, noutras áreas de produção como a produção de solas para o calçado com a tecnologia Boost, solas para chuteiras e solas feitas com impressão 4D.

«O conhecimento que ganhamos a criar e a operar as Speedfactories foi possível através da cooperação construtiva com a Oeschler e a sua equipa. Com isso, fomos pioneiros em novos processos produtivos, incluindo na redução significativa nos tempos de produção para calçado de desporto. Lamentamos que a nossa colaboração em Ansbach e Atlanta tenha chegado ao fim e agradecemos a todos os participantes no projeto pelo seu empenho», afirma Martin Shankland. «Ao mesmo tempo, estamos contentes por continuar a nossa parceria com a Oechsler noutras áreas, sobretudo em impressão 4D avançada», adianta.

Claudius Kozlik, CEO da Oechsler, confessa que embora a empresa compreenda as razões da Adidas para descontinuar a produção da Speedfactory na Oeschsler, lamenta a decisão. Mas assegura que a empresa está desejosa de continuar a «cooperação próxima e de confiança» com a Adidas na área da impressão 4D de solas.

«Com a produção da Speedfactory para a Adidas, ganhamos uma visão extremamente valiosa que tem sido e continua a ser incorporada na produção para outras divisões do Grupo Oechsler – automóvel, medicina e soluções inovadoras», destaca.

A Oechsler refere ao just-style.com que, embora não consiga ainda quantificar o número total de perda de postos de trabalho, após uma revisão interna inicial mais de 100 dos 270 funcionários trabalham atualmente na fábrica de Ansbach/Brodswinden serão afetados, assim como todos os funcionários da Speedfactory de Atlanta, onde trabalham mais 100 pessoas.