Início Notícias Mercados

África nossa

Eu encorajo-vos a olharem para África seriamente, quer sejam uma marca, um fabricante ou um provedor de serviços, porque a oportunidade é muito entusiasmante», afirmou Mark Green, vice-presidente executivo da PHV Corp., no Prime Source Forum que se realizou em Hong Kong nos dias 24 e 25 de março. Existem, naturalmente, limitações, impostas pela natureza inexplorada do território. Porém, Mark Green estimula estas entidades a «investirem tempo, energia, determinação, dinheiro e compromisso», construindo «algo especial que será um modelo a seguir». Transformação significativa Os gigantes do vestuário PHV Corp. e VF Corp. empreenderam uma expedição conjunta pelo leste do continente africano, avaliando as oportunidades de países como Etiópia, Quénia e Uganda. Os governos africanos concedem importância crescente ao sector dos têxteis e vestuário. «Está em curso uma transformação significativa no que diz respeito à qualidade dos líderes, motivação, energia e compromisso», concordou Adan Mohamed, secretário do gabinete para a industrialização e desenvolvimento empresarial do Quénia, acrescentando que «mais do que nunca existe um alinhamento conjunto entre os governos africanos». A afetação de têxteis e vestuário como um potencial de crescimento económico levou à criação de incentivos por parte do governo queniano. A população crescente assegura, também, um fluxo inexplorado de mão-de-obra para a indústria. As exportações provenientes desta região com destino aos EUA e à União Europeia estão isentas de taxas alfandegárias, em resultado dos acordos estabelecidos. O livre comércio entre as nações do leste africano facilita o transporte de mercadorias e o avultado investimento dos EUA e da China, em estradas, ferrovias, energia e infraestruturas, permitiu melhorar significativamente a acessibilidade deste território. Existe também um potencial para aumentar a produção de algodão em África, que atualmente responde por 6% da produção mundial, estimando-se que 60% da terra arável não cultivada a nível mundial pertença a esse continente. Simultaneamente é já ponderada, a nível governamental, a possibilidade de avançar para uma produção de algodão à escala industrial, elevando os rendimentos da colheita para valores equiparáveis aos da China e Austrália. Green acrescentou que «se esses países forem capazes de implementar uma agricultura comercial, isso irá aumentar de forma dramática a viabilidade da região». Desafios atuais Os problemas de comunicação, infraestruturas deficitárias, processos alfandegários lentos e instabilidade económica em alguns países africanos são ainda impedimentos à implementação da indústria. Outro problema corrente remete para os baixos níveis de produtividade, flexibilidade e capacidade para a produção de vestuário. A prevalência do VIH na África Subsariana obrigará, também, a cuidados de segurança acrescidos e a uma resposta suplementar por parte das marcas e unidades de produção. Contudo, o aspeto mais ameaçador até ao momento parece ser a expiração da African Growth and Opportunity Act (AGOA), patrocinada pelo governo dos EUA e destinada à promoção do continente africano. Não obstante, Green mostra-se otimista, antecipando um prolongamento de 10 anos, que será de enorme relevância para a construção de uma cadeia de aprovisionamento vertical no continente. «As unidades de fiação são investimentos de capital-intensivo e o retorno deverá ocorrer ao fim de oito a dez anos, por isso necessitamos da segurança resultante de uma extensão de 10 anos da AGOA, que irá proporcionar a garantia necessária ao investimento». O futuro do aprovisionamento «Acreditamos que África se tornará o futuro centro de aprovisionamento em consequência da dinâmica de mudança na Ásia», explicou Mohamed. Mark Green concorda que «em termos de uma visão macro global e olhando estrategicamente para a nossa indústria, há muito poucos locais para onde ir». O Vietname afigura-se como uma possibilidade, especialmente na eminência da aprovação da Trans-Pacific Partnership (TPP), que irá favorecer as exportações provenientes do país. «No entanto, o Vietname é um país pequeno e com cada unidade de fiação chinesa a ponderar a transferência para o Vietname (…) isso conduzirá a um aumento dos preços», ressalvou Green. Mediante estes desafios, «não há motivo para questionar a possibilidade de uma unidade de fiação de elevada qualidade sediada na China transferir todo o seu conhecimento e tecnologia e aplicá-los num país como o Quénia ou a Etiópia, treinar e construir», sublinhou Green. Para tal, será necessário investir mas, apesar das limitações, o vice-presidente executivo da PHV acredita que será possível replicar os feitos alcançados na China e no Sri Lanka, onde foi dito inicialmente que «nunca seriam capazes de fazer a inovação e o desenvolvimento». Em África é tempo de «dar o salto».