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Agasalhos 2.0

A capucha interpreta há largos anos o papel de agasalho tradicional português. Usada por pastores e lavradores nas pequenas aldeias portuguesas, a peça, apoiada apenas sobre a cabeça, permite uma total liberdade de movimento para o trabalho no campo, protegendo ainda contra as intempéries.

Um grupo de criativas decidiu agora pegar na capa que envolve gentes e história e levá-la até à sua versão 2.0.

A marca À Capucha! é 100% nacional, mas pulsa na universilidade da rede, entre a sua página oficial e os perfis em redes sociais como o Facebook, Instagram, Pinterest, Tumblr e Twitter. As capas da marca são feitas em burel, um tecido 100% lã, e estão disponíveis para mulher e homem.

«​A marca nasceu pelo interesse que sempre tivemos pela manufatura e o saber-fazer tradicionais portugueses. Achamos que há imensas técnicas e artesãos que estão a ​desaparecer, perdendo-se um património intangível cuja única forma de subsistir será através da criação de projetos que tragam sustentabilidade a quem os faz», conta, ao Portugal Têxtil, Raquel Pais, que se junta às “capuchas” Cecília Lages e Maria Ruivo na gestão da marca pertencente à consultora de design Estufa.

​Os séculos de história foram aprimorando a forma e o material da capucha e, hoje, a peça que cobria as gentes no trabalho rural motiva publicações nas redes sociais e artigos em blogues – tudo porque as criativas fundadoras da marca nutrem pela peça «o mesmo amor de há centenas de anos». «A À Capucha! preocupa-se em nunca quebrar a relação quer com a origem das peças, quer com o modo como elas são feitas, que é o mais importante», explica Raquel Pais. Simultaneamente, a marca procura desenvolver versões úteis, funcionais e contemporâneas, que acompanham as tendências de moda.

Deste conjunto de ingredientes, nasceu a primeira coleção da À Capucha!, disponível para mulher – com os modelos Senhorita Capucha (uma mistura de casaco de inverno com capa de lã, num estilo country moderno, disponível em quatro cores e com pequenos detalhes de burel), Dona Capucha (com um toque urbano, disponível em três cores) e Senhora Capucha (uma capa-manta de luxo com tecelagem manual de lã, seda e linho, em quatro cores). E para homem – com o modelo Dom Capucha (com um corte simples e design versátil e funcional, tem um bolso interior talhado para a carteira ou telefone e está disponível em duas cores).

Feitas à mão por um grupo de artesãs na aldeia de Arões, Vale de Cambra, cada uma das capuchas é única, «tendo a marca das mãos que a fizeram, por encomenda e especialmente para cada um dos nossos clientes». O público-alvo da marca são pessoas que «valorizam a qualidade, o saber-fazer, produtos que têm uma história, que possa ser contada com orgulho», aponta Raquel Pais.

A história, o artesanato, o folclore, a etnografia, a moda e a fotografia servem de inspiração à equipa que alimenta as plataformas da À Capucha! com imagens alusivas não só às peças, mas a todo o universo criativo envolvente. «Também é muito importante ir falar com as pessoas, conhecer as histórias dos lugares, visitar artesãos, fábricas, discutir o que é possível ou não fazer-se. Depois é começar a fechar o produto ou as coleções, e aí começamos na produção, visitas a fornecedores, trabalho no atelier com as artesãs até o produto estar conforme queremos», revela Raquel Pais.

E, por último, acontece o processo da venda, realizado, sobretudo, online e apenas por encomenda.​ Os preços das capuchas variam entre os 92 e os 520 euros.​ A par da loja online, as capas podem ser encontradas em plataformas como o Portconer, o The Loppist e o KOA.

​A primeira coleção foi desenvolvida em parceria com a designer Helena Cardoso e o fecho em prata The Wave – também disponível para compra online – foi concebido em parceria com a designer de jóias Lia Gonçalves. «E outras virão!​», afirma Raquel.

A À Capucha! está a ter ​«uma enorme aceitação», sublinha Raquel. Sobre o futuro, o grande plano é das capuchas «internacionalizar a marca em força».