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Agradar a pais e filhos

Os pais são os principais compradores de moda infantil, mas os seus gostos e preferências estão em mutação, sobretudo com a chegada da chamada Geração Z à parentalidade. Os mais pequenos têm também, cada vez mais, uma palavra a dizer.

[©Pixabay]

De acordo com os dados publicados pelo Pew Research Center, citados pelo WGSN, as mulheres Millennial [nascidas entre a década de 80 e 1995] representaram 90% das novas mães no ano passado. Estas mulheres são mais diversas em termos raciais e étnicos e estão mais embrenhadas no universo digital.

Esta aptidão para o mundo das redes sociais em geral está a mudar a forma como as mães acedem aos conteúdos das marcas. Um estudo recente da BSM Media concluiu que 62% das mães tinham conhecimento de novos produtos através de vídeos do TikTok, tornando este num importante canal para as marcas.

A sustentabilidade consta igualmente das preocupações dos Millennials, com o estudo da Deloitte Global Millennial Survey a revelar que 42% dos indivíduos desta geração «começaram ou aprofundaram uma relação comercial porque entendem que os produtos ou serviços de uma empresa têm um impacto positivo na sociedade e/ou no ambiente».

A isso soma-se uma atenção redobrada ao desenvolvimento intelectual das crianças, que assume um papel central para os pais Millennials, juntamente com a saúde mental dos mais pequenos, que foi afetada pela pandemia.

Os pais Millennials procuram também passar tempo de qualidade em família, buscando criar memórias com os filhos. O mundo exterior ganhou protagonismo com o surgimento do covid-19 e, segundo o WGSN, não deverá perdê-lo entretanto, com as atividades ao ar livre a serem mais procuradas.

[©Pixabay]
Os Millennials, contudo, poderão em breve ser destronados pela Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) no que diz respeito à moda infantil. Um estudo da Virtue Worldwide deste ano revela que, em 2022, a Geração Z será a que mais se irá estrear na parentalidade e isso trará mutações no consumo. De acordo com o WGSN, enquanto os Millennials esperaram quase até aos 30 anos para atingir os marcos importantes da vida adulta, a Geração Z está mais inclinada a acomodar-se mais cedo, com quase metade a esperar ter casa própria entre os 25 e os 29 anos. Com uma infância marcada por uma angústia existencial em relação à crise climática, os indivíduos da Geração Z estão a entrar rapidamente na vida adulta e a evitar a adolescência prolongada da geração anterior com o objetivo de se focarem na enorme tarefa de salvarem o mundo.

A Geração Z está a criar os filhos com os seus valores de inclusão e tolerância, procurando incutir-lhes um forte sentido de responsabilidade social. Ao mesmo tempo, espera que estes se possam exprimir em termos de identidade, encorajando a fluidez de género e respeitando a individualidade dos mais pequenos, com menos fronteiras rígidas. Segundo um estudo da Virtue Worldwide, 60% dos jovens pais consideram que os filhos são seus iguais, uma taxa que sobe para 78% entre os pais chineses da Geração Z. Os valores familiares tradicionais deverão, por isso, mudar muito, porque 72% afirmam que os filhos estão mais bem posicionados para os ensinar a ser pais.

Isso terá igualmente influência nas decisões de compra de moda para as crianças, com estas a terem, cada vez mais, uma palavra a dizer.

Retalho acompanha mudanças

Os espaços de retalho terão, por isso, de ser desenhados a pensar nesta Geração Alpha (nascida a partir de 2010) e no tempo em família, aponta o WGSN. Em Taiwan, o gabinete de arquitetura MVRDV renovou o defunto Chinatown Mall e transformou-o numa “lagoa urbana”, batizada Tainan Spring, usando princípios de design circular e sustentabilidade. Para além de ter novas lojas, quiosques e restaurantes, o espaço está pensado para que as crianças possam brincar, com um ambiente imersivo e divertido para os mais novos.

Market on the Mews [©Selfridges]
O Selfridges também abriu um mercado ao ar livre no ano passado por detrás da sua loja de Oxford Street, em Londres, denominado Market on the Mews, com atividades e entretenimento ao vivo para adultos e crianças. «Com as famílias a passarem mais tempo em zonas locais e a afastarem-se das cidades apinhadas no geral, os retalhistas devem também procurar criar iniciativas amigas da família como estas em áreas suburbanas», salienta o gabinete de tendências. Até porque, como revelou um estudo da Mintel de 2019, mais de um terço dos 2.000 pais inquiridos encaram as compras como uma altura em que podem criar laços com os seus filhos.

Tainan Spring [©MVRDV]
A verdade é que a Geração Alpha está mais conectada e informada que as anteriores, com tecnologias como a realidade aumentada e a realidade virtual a fazerem parte das suas experiências quotidianas. São também atentos às questões da ecologia – que aprendem desde cedo na escola –, obrigando a que os produtos sejam amigos do ambiente. Têm padrões mais elevados do que os seus pais Millennials ou da Geração Z e, como tal, serão mais exigentes para com as marcas e retalhistas que consomem, agora e no futuro.

A Geração Alpha está a crescer num ambiente em que espera ser vista e ouvida e procura fazer-se notar e exercer o seu direito de escolha, que se traduz também naquilo que veste.