Início Notícias Tecnologia

AI toma conta do negócio

Até agora focada sobretudo em criar novas experiências para o consumidor através da oferta de uma seleção personalizada de produtos, a inteligência artificial está atualmente a reduzir os custos e a melhorar os processos operativos, tornando os fluxos de trabalho mais eficientes.

Da mesma forma que a revolução industrial mudou a forma como os produtos físicos são criados, a inteligência artificial (conhecida pela sigla em inglês AI) tem a capacidade de automatizar tarefas complexas e repetitivas, libertando os trabalhadores para se concentrarem na solução criativa de problemas, garante o WGSN.

Atualmente, a inteligência artificial está a ajudar os retalhistas a fazer melhorias significativas nas suas propostas de serviço ao consumidor, ao mesmo tempo que economiza recursos em call centres, melhorando a eficiência das rotinas de resposta a problemas.

A retalhista online de bens alimentares Ocado recebe cerca de 2.000 emails de consumidores por dia, mas durante as épocas mais movimentadas do ano, quando o mau tempo interrompe o transporte e as entregas, esse número pode ultrapassar os 6.000.

A Ocado começou a usar a aprendizagem de máquinas para identificar que emails têm prioridade e automaticamente mover os mais críticos para o topo da lista, assegurando que os pedidos urgentes são respondidos em primeiro lugar. A retalhista concebeu o sistema com recurso a software open-source da Google de aprendizagem de máquinas e à plataforma de processamento de linguagem TensorFlow, que desenvolveu a capacidade de priorizar as interações depois da Ocado ter passado 3 milhões de emails de consumidores pela plataforma.

A operadora online britânica Shop Direct começou a usar inteligência artificial e uma plataforma conversacional para ajudar a responder às questões do serviço. Os consumidores que recorrem à sua app Very podem usar a funcionalidade de inteligência artificial para pagar a sua conta Very.co.uk, confirmar que pagamentos recentes tenham sido processados, verificar as datas de pagamento e fazer um pedido com o número de conta.

A retalhista está a usar isto como o primeiro passo para lançar uma plataforma conversacional completamente gerida por inteligência artificial em 2017, onde os consumidores poderão colocar questões nas suas próprias palavras em vez de escolher de múltiplas opções de escolha.

Operações

As operações são outra área onde a inteligência artificial deverá registar um crescimento significativo. A inteligência artificial e a computação cognitiva são perfeitas para gerir tarefas repetitivas.

A Asos está a usar a inteligência artificial para tornar mais eficiente o seu processo de compra e pagamento. A retalhista online lançou a solução inStream, que reduz as tarefas que exigem muito trabalho e tomada de decisão. A solução usa informação não estruturada ou semiestruturada (emails, redes sociais, faxes e outros fluxos de dados eletrónicos) e transforma-os em dados precisos e estruturados que dão entrada nos sistemas de negócio, minimizando a necessidade de interação humana.

A operadora online americana jet.com usa um modelo de preços em tempo real que muda com base na distância do produto e disponibilidade nos arredores do consumidor – a localização do stock e a disponibilidade pode mudar rapidamente na empresa. O negócio, que utiliza a plataforma de mensagens Slack como sistema de gestão interna, desenvolveu um bot (um software de inteligência artificial concebido para automatizar tarefas repetitivas) para a plataforma que alerta os membros da equipa de mudanças ou anomalias nas unidades em stock – quando o produto começa a ser vendido em quantidades anormalmente altas, por exemplo, ou quando as vendas se tornam anormalmente lentas. A sua integração customizada na plataforma Slack alerta o responsável por esse produto e preço. Esse responsável pode depois comunicar com as equipas internas para resolver o problema.

A diretora de gestão de clientes da Shop Direct, Jennifer Day, afirmou à Retail Week que a mudança para a inteligência artificial em operações está a ter um impacto positivo nos funcionários. «Temos papéis muito mais compensadores para os colegas na organização que realmente alargam a sua capacidade e o seu intelecto e confiar nas máquinas para fazer coisas que historicamente tínhamos de processar manualmente», explicou.

Design de produto

Os retalhistas estão a usar inteligência artificial para ajudar a tomar melhores decisões no design de produto. No verão de 2016, a Google e a Zalando revelaram uma experiência que mostrou como é possível criar vestuário desenhado por inteligência artificial usando a plataforma TensorFlow.

A Google deu às redes neurais artificiais exemplos de cor, textura e preferências de estilos de mais de 600 especialistas em moda. Estas aprenderam a ligar essas preferências a pessoas com interesses semelhantes.

Embora os resultados gerados por esta experiência, batizada Project Muze, tenham sido um pouco vanguardistas para o consumidor médio, mostrou a capacidade desta tecnologia.

A retalhista indiana Myntra já usou inteligência artificial para ajudar a criar as suas coleções de moda. A retalhista afirma que a inteligência artificial indica que materiais tem disponíveis, o que as pessoas estão a gostar e cria um esquema para os designers, que depois aperfeiçoam a versão inicial de acordo com a procura.

Por sua vez, a Volkswagen revelou a sua ambição de se tornar uma empresa gerida por inteligência artificial até 2025. A construtora está a desenvolver um processo automático de design onde pode desenvolver e testar milhões de designs de automóveis – ajustando a forma e o fluxo de ar, e medindo qual o impacto de uma mudança na engenharia teria no design.

O diretor de tecnologias de informação do grupo Volkswagen, Martin Hofmann, revelou que «faz isso alguns milhões de vezes e encontra a solução ótima, passando então isso para a fábrica, onde a linha automática de produção faz a montagem, por isso temos um processo autónomo desde a engenharia à produção».

Design

À medida que os retalhistas lidam com o design interativo e testes A/B, a inteligência artificial tem a capacidade de desenvolver algoritmos que automatizam e aceleram este processo, testando rapidamente opções alternativas para o design de websites.

A empresa italiana de lingerie Cosabella trabalhou com a Sentient para lançar este tipo de programa de desenvolvimento e registou um aumento de 35% nas vendas. A diretora de marketing da marca, Courtney Connell, reconheceu que os algoritmos poupam muito tempo à sua equipa e permite-lhes focarem-se no lado mais criativo do marketing e a empresa planeia aplicá-los noutros elementos do seu website e em campanhas de marketing.