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Albânia quer marcas europeias

A Albânia está a fazer um grande esforço para atrair negócios de sourcing de marcas europeias assustadas com a volatilidade que está a afectar países africanos e do Médio Oriente. Flamur Hoxha, director da câmara da indústria têxtil do país, afirma que a incerteza de aprovisionamento e a insegurança que emerge destes conflitos colocou a Albânia no mapa como um destino ideal para fazer vestuário de elevada qualidade a preços baixos. «Estamos a ver um aumento nas marcas italianas e francesas com produção no Norte de África que estão a tentar mudar para a Albânia», indicou Hoxha, que gere a produtora de camisas Kler, que emprega 300 trabalhadores que fazem 600 mil artigos de vestuário por ano. Tal como a Kler, há outras 400 PME’s de vestuário na Albânia capazes de produzir roupa interior, casacos e sobretudos e com clientes em Itália, na Grécia e na Alemanha. De acordo com Hokha, os produtos albaneses são mais baratos a produzir já que os custos da mão-de-obra variam de 0,06 euros a 0,07 euros por minuto e o salário médio é 250 euros. A maior parte dos trabalhadores são mulheres jovens, uma vez que o país tem uma população muito nova com 47% dos albaneses têm 25 anos. A Albânia está também próxima da UE, o que permite que os envios cheguem a Itália em 24 horas por barco. A qualidade também é elevada e o país tem a flexibilidade para fazer pequenas encomendas. Actualmente, o sector têxtil e vestuário representa 40% das exportações albanesas, empregando um milhão de pessoas, quase metade de todos os postos de trabalho privados. «É uma das poucas actividades que trazem euros para o país e o Governo não está a apoiar-nos», queixa-se Lindita Legisi, que gere a pequena empresa de têxteis Omega, que produz lingerie para a Sixty, Liu Jo, Kocca e Alessandrino, entre outras. Ela afirma que o Estado deve providenciar créditos mais leves e trabalhar para eliminar a taxa de 12% que os produtos não-europeus pagam quando entram na Europa, através de acordos bilaterais. «Com pouco dinheiro é possível criar muitos postos de trabalho. O Governo deve apoiar este sector já que ajudaria a baixar o desemprego», actualmente nos 12,5%, segundo dados do Governo.