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Albano Morgado a crescer há uma década

Depois do crescimento de 4% em 2018, a Albano Morgado quer consolidar as suas vendas em 2019 e concluir o investimento de um milhão de euros que está a fazer na tinturaria.

O crescimento foi «relativamente pequeno», mas o aumento do volume de negócios de 4,78 milhões em 2017 para 4,88 milhões em 2018 é, acima de tudo, uma mostra do dinamismo da produtora de tecidos laneiros. «Tivemos 4% de crescimento mas não deixamos de crescer. Aliás, nos últimos 10 anos temos crescido todos os anos e 2018 não foi exceção. Só não teve a expressão de crescimento que desejaríamos», explica o CEO e neto do fundador Albano José Morgado.

A empresa, que emprega 80 pessoas, vende 75% da sua produção para os mercados externos, tendo na Suécia o principal destino. «É o nosso primeiro mercado de exportação e o nosso principal mercado», afirma o CEO ao Jornal Têxtil. «Depois segue-se a Alemanha, Inglaterra e França», enumera.

Foram, contudo, os mercados ultramarinos que mais puxaram pelo crescimento no ano passado, nomeadamente o Japão e os EUA. «Temos um bom produto e estamos presentes nesses mercados», indica Albano José Morgado. Em sentido inverso, na Turquia, um mercado importante para a empresa, sentiu-se um decréscimo das encomendas. «A desvalorização da moeda tirou poder de compra e houve uma descida substancial dos preços», justifica. No mesmo sentido, os negócios na Rússia têm também sido afetados. «É um mercado onde, nos últimos tempos, temos perdido quota, exatamente por questões político-económicas. Há restrições à importação e há também a questão económica do próprio país, o câmbio face ao euro», adianta.

Um histórico que faz com que Albano José Morgado esteja preocupado com outro país. «A nossa preocupação para 2019 é o que irá acontecer com Inglaterra, que é o nosso terceiro mercado, com a saída ou não da Zona Euro», admite. Para já, a incerteza faz-se sentir e haver «incerteza já não é bom», reconhece.

O início do ano tem, de resto, estado «mais tranquilo» que 2018. «Mas a quantidade não é tudo: a qualidade é mais importante. Esperemos que aqueles clientes que têm estado nas feiras e nos têm visitado venham compensar a ausência de alguns», acrescenta o CEO.

Investimento em contínuo

Esta acalmia do mercado não tem, contudo, inquietado a empresa, que continua a investir no desenvolvimento de novos artigos e na renovação de maquinaria. Para a primavera-verão 2020, a Albano Morgado desenvolveu uma coleção onde primam fibras naturais como o algodão, o linho e misturas com lã. «Estamos a apresentar uma alternativa aos nossos clientes, para além da tradicional coleção de lã, mais própria para o inverno. Assim temos uma alternativa para o verão», esclarece Albano José Morgado. Uma estratégia que tem garantido à produtora de lanifícios novos clientes a cada estação. «A nossa coleção de primavera-verão tem vindo a ganhar um espaço diferente e mais importante na nossa empresa e tem tido um crescimento à volta de 10% por estação, principalmente nos últimos três anos», refere o CEO.

Quanto aos investimentos na melhoria produtiva, «nos últimos 10 anos temos feito uma média de investimento anual na ordem dos 500 mil euros», centrados essencialmente na melhoria da qualidade do produto, «porque temos capacidade produtiva suficiente», garante.

O mais recente investimento, na ordem do milhão de euros e ainda em curso, está a ser efetuado na tinturaria. «É um pavilhão novo, com cerca de 700 metros quadrados, e irá ter duas vertentes da tinturaria: o tinto em rama e fio e o tinto em peça. É algo que já temos, mas vai haver uma atualização do parque de máquinas e algum aumento da capacidade produtiva nessa secção», elucida Albano José Morgado.

Os objetivos para 2019 passam, assim, pela conclusão do investimento na tinturaria, que deverá terminar no verão, e pela consolidação dos mercados. «Um bom resultado será manter o volume de negócios de 2018, até porque me parece que a economia europeia e mundial está a abrandar. Manter, para nós, já é um bom objetivo», conclui o CEO da Albano Morgado.