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Albano Morgado aponta baterias ao homem

A produtora de lanifícios tem ainda 80% das suas vendas no segmento feminino, mas está a apostar mais no homem. Na coleção para o outono-inverno 2020/2021 constam 180 referências, pensadas não só para o guarda-roupa masculino, mas também para servir uma multiplicidade de clientes e mercados.

Albano Morgado

A Albano Morgado quer que as suas propostas para homem se destaquem no mercado e, por isso, está apostar em designs diferentes dos convencionais. «Queremos abranger homem mas com um produto diferenciado e não no tradicional, porque aí a concorrência é muito maior», explica Albano Morgado, administrador da empresa familiar, fundada pelo seu avô em 1927.

Para ilustrar o potencial dos seus tecidos para este segmento, a Albano Morgado tem optado por mostrar produto acabado aos seus clientes, na forma de camisas, sobretudo do tipo over-shirt. «A tendência no vestuário tem evoluído. O menos formal ganhou espaço dentro daquilo que era o tradicional e isto é um exemplo da evolução que a Albano Morgado faz, estando atenta às necessidades do mercado. O nosso foco principal é sempre satisfazer os nossos clientes», justifica o administrador.

Apesar de recente, a especialista em tecidos pretende que o segmento masculino atinja uma quota maior na produção da empresa, que atualmente emprega 85 pessoas e tem uma capacidade produtiva de 500 mil metros por ano. «É muito diferente ter uma coleção de senhora e ter uma coleção masculina, porque a variedade de senhora é muito grande e os números em termos de quantidades são muito diferentes de uma coleção masculina», afirma Albano Morgado, que aponta como meta que «o homem represente entre 30% a 40% da nossa coleção dentro dos próximos três a quatro anos. Se daqui a quatro anos, o homem estiver com 40% e senhora com 60%, será o ideal para a Albano Morgado».

Matérias-primas naturais e nobres

A lã continua a ser a fibra de eleição da empresa, que se alinha pela tendência de sustentabilidade do mercado. «É um produto natural», salienta o administrador, e, como tal, não suscita «preocupação» a sua utilização, tendo em conta as credenciais ecológicas.

«Continuamos a apostar, seguindo a trajetória dos últimos dois ou três anos, em produtos de maior valor acrescentado e produtos o mais naturais possível, ou seja, o 100% lã – as misturas cada vez têm um peso menor na nossa coleção – e fibras nobres como caxemira e alpaca. Tem sido essa a trajetória nos últimos anos e é essa que vamos continuar a desenvolver», destaca Albano Morgado.

Propostas pensadas para agradar a gregos e troianos, ou, no caso da Albano Morgado, a alemães, franceses e ingleses – os três principais mercados de exportação da empresa. A Europa representa, de resto, 60% das vendas da empresa e o abrandamento e a indecisão sentida em alguns mercados do Velho Continente fazem com que as perspetivas para este ano sejam mais moderadas. «Estamos a assistir a um abrandamento e tenho dúvidas que se recupere até ao final do ano. Mas não é significativo, por enquanto. Se se mantiver assim, significa que provavelmente não temos crescimento, mas iremos ter números idênticos ao ano passado», indica o administrador da empresa, que em 2018 registou um volume de negócios de 4,88 milhões (+4% do que em 2017).

O portefólio de clientes, contudo, tem crescido. «Assistimos a um maior número de encomendas, mas de menor quantidade», reconhece Albano Morgado. «O esforço que tem havido em termos comerciais, com a presença em feiras e a aposta no sector comercial da própria empresa, e a diversidade em termos de clientes tem-nos permitido, de alguma forma, conseguir substituir mercados que entram em alguma recessão por outros mercados», admite Albano Morgado, citando crescimento em França e nos países escandinavos. «A Suécia e a Noruega têm mantido um crescimento sustentado na casa dos 5%. São mercados interessantes», considera o administrador.