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Albano Morgado tece novos investimentos

A produtora de tecidos laneiros passou um verão complicado, com os fogos a ameaçarem a fábrica. Agora, a prioridade passa por investir numa mova tinturaria.

Não foi um ano fácil para a Albano Morgado. À imagem do que aconteceu em outras fábricas de Castanheira de Pêra, a unidade teve o fogo às portas e só não ardeu porque um funcionário zeloso, que estava nas instalações no sábado em que tudo aconteceu, conseguiu evitar o pior. Ainda assim, e durante a tragédia que se desenrolou na região, a empresa perdeu três funcionários.

Mas os restantes 85 ainda contam com todo o empenho da especialista em lanifícios que está a sinalizar a sua aposta em Castanheira de Pêra com o investimento numa nova tinturaria. Baltazar Lopes, administrador da Albano Morgado, esteve no Modtissimo 2018 e deu conta dos planos da empresa. «A tinturaria atual é moderna, mas de todos os melhoramentos que temos vindo a fazer faltava este. Precisamos também de aumentar a capacidade e a qualidade» nesta área, explicou o administrador. O valor a aplicar neste projeto ronda 1,5 milhões de euros, revelou o administrador. «Estamos com perspetivas de crescimento a vários níveis e, sobretudo, continuamos a apostar na qualidade e no serviço», apontou Baltazar Lopes. No ano passado, o volume de negócios da Albano Morgado foi de 4,75 milhões de euros, um aumento de 4% em relação a 2016, adiantou o administrador.

Além do projeto de investimento, a Albano Morgado pretende este ano continuar a apostar na internacionalização crescente, nomeadamente para os mercados americano e japonês. «Nos últimos 10 anos temos vindo a inverter o que era habitual. Deixamos de ter o mercado nacional como o mais importante e passou a ser o de exportação, com a Europa, EUA e Ásia», garantiu Baltazar Lopes.

Atualmente, cerca de 75% das vendas da empresa já são feitas para fora de Portugal, sendo que o mercado mais importante ainda é o europeu, com a Escandinávia, Inglaterra, Alemanha, França. Na Ásia, a Albano Morgado vende para o Japão e Coreia do Sul. Os EUA são também um mercado importante para a produtora de tecidos laneiros, mas o administrador reconheceu que o país é complicado, dadas as «exigências a vários níveis, de qualidade, certificação, testes, e de um conjunto de burocracias à volta do negócio do tecido que dá muito trabalho, mas é aliciante porque é um mercado grande e de facto abre o apetite».

Baltazar Lopes disse não ter notado grandes agravamentos das condições de exportação de tecidos para o país, apesar do discurso protecionista de Donald Trump, tendo em conta o modelo com que opera. «Não vendemos diretamente para os EUA e sim para o confecionador, ou seja, por exemplo no caso da Ralph Lauren, eles escolhem, decidem e tratamos de tudo, só que depois dizem-nos para enviar e faturar o tecido a outra empresa», esclareceu.

Quanto a Espanha, a Albano Morgado já nota algumas dificuldades há algum tempo. «O mercado espanhol está cada vez mais fraco. Acho que também acompanha aquilo que é a evolução do português, ou seja, o consumo interno tem vindo a diminuir bastante. Mas muitas marcas europeias regressaram a Portugal, porque fizeram todo o circuito dos países baratos e não conseguiram encontrar barato e bom», referiu Baltazar Lopes.

No Japão, o grupo encontrou clientes com quem é fácil de trabalhar, mas difíceis de conquistar. «Temos que dar muitas provas», assegurou o administrador. Mas depois de aceite, a empresa conta com a confiança total do parceiro japonês. A Albano Morgado tem optado por trabalhar com clientes de um segmento mais elevado, ainda que haja especificidades em cada mercado. «Algumas qualidades são transversais a todos os mercados, mas na sua maioria não», concluiu o administrador.