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Alerta no vestuário em LA

Muitas das confeções de Los Angeles, um dos mais importantes centros de produção de vestuário nos EUA, são empoeiradas, demasiado quentes, mal ventiladas e inseguras, de acordo com um estudo recente realizado por investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Mais do que isso, o relatório sublinha que as unidades são perigosas em caso de incêndio, uma vez que, alegadamente, os responsáveis deixam as saídas das fábricas bloqueadas. «Sabíamos que as coisas eram más, mas não sabíamos que eram tão más», afirma Mariela Martinez, do Garment Worker Center, a organização que inquiriu 307 trabalhadores de vestuário para o estudo, em declarações à LA Weekly.

O que mais alarmou Martinez foi o facto de 42% dos trabalhadores relatarem que as saídas e portas das unidades de produção ficavam regularmente bloqueadas. Martinez afirma ter encontrado várias fábricas de vestuário nas quais a escada ou as portas estavam obstruídas em vários andares. «É alarmante pensar o que aconteceria se houvesse um terremoto ou um incêndio», diz.

A equipa de pesquisa do Garment Worker Center entrevistou os trabalhadores na rua e nas paragens de autocarro e o Centro de Pesquisa e Educação Laboral da UCLA produziu então o estudo “Dirty Threads, Dangerous Factories: Health and Safety in Los Angeles’ Fashion Industry” que foca, sobretudo, as questões de saúde e segurança na indústria de vestuário de Los Angeles.

O relatório ressalva, porém, os desafios de entrevistar os trabalhadores de vestuário, que tendem a evitar discutir as suas experiências devido a constrangimentos como o trabalho ilegal. «Construímos o inquérito de forma a ser muito rápido fazê-lo fora da fábrica enquanto as pessoas esperavam pelo autocarro», explica Mariela Martinez. «Saímos, explicámos quem éramos e tentámos não fazer muitas perguntas sobre quem era o empregador».

O estudo constatou que 72% dos entrevistados consideram que as fábricas nas quais trabalham estão mal ventiladas, algo que torna os interiores excessivamente quentes durante a maior parte do ano. O ar poluído com poeira dificulta também o trabalho dos inquiridos e, por vezes, a própria respiração.

A higiene nas fábricas é outro fator alarmante: 47% dos trabalhadores referem que as casas de banho do local de trabalho estão sujas; 42% relatam ter visto ratos.

No passado mês de novembro, o Departamento de Trabalho dos EUA descobriu que os fabricantes de vestuário do sul da Califórnia não estavam em conformidade com as questões básicas de segurança do local de trabalho 85% do tempo. O departamento conduziu 77 investigações em produtores de vestuário selecionados aleatoriamente e recuperou 1,3 milhões de dólares (aproximadamente 1,2 milhões de euros) em salários atrasados para 865 trabalhadores.

As confeções em questão estavam a produzir peças de vestuário para marcas de moda rápida, como as cadeias de desconto Ross e TJ Maxx. Além destas, o documento da UCLA menciona retalhistas como a Forever 21, Wet Seal, Papaya e Charlotte Russe.

De acordo com os investigadores, os fabricantes de vestuário tendem a compensar os seus trabalhadores através do sistema parcelar, pagando para incentivá-los a trabalhar o mais rápido possível. Raramente o valor ganho equivale ao salário mínimo.

No início deste ano, o Garment Worker Center descobriu que as fábricas que produziam vestuário para a cadeia Ross, em Los Angeles, pagavam aos trabalhadores em parcelas de 5 a 6 dólares/hora – o salário mínimo da Califórnia é de 10 dólares/hora.

Ainda a este propósito, o Departamento de Estatísticas do Trabalho da Califórnia relata que 71% dos trabalhadores da confeção em Los Angeles nasceram fora dos EUA – 47% são latinos e 24% são asiáticos. Os trabalhadores asiáticos são, na sua maioria, chineses ou coreanos, aponta Mariela Martinez, e a população latina é, cada vez mais, composta por trabalhadores de países da América Central.