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Alertas no sourcing

Em 2016, os principais riscos para as cadeias de aprovisionamento globais vão desde o roubo de cargas aos desastres naturais, passando pelos atentados terroristas. A agitação dos trabalhadores na China e o trabalho infantil na Índia surgem, por seu lado, entre os desafios específicos enfrentados pelas empresas de vestuário.

A previsão do BSI (British Standards Institution) alerta ainda para paralisações contínuas, como resultado das exigências de monitorização e comunicação para eliminar o recurso ao trabalho infantil e forçado na cadeia de aprovisionamento, assim como para a da agitação social em África, na América Latina e na Europa, que promete continuar.

O último relatório do Global Supply Chain Intelligence do grupo calcula que, em 2015, 22,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 20 mil milhões de euros) em perdas aconteceram devido a roubos de cargas e que os cinco maiores desastres naturais do ano tiveram um impacto de 33 mil milhões.

A África do Sul assistiu a um aumento de 30% em sequestros de camiões de carga ao longo do último ano e os ​​roubos de veículos de mercadorias tornaram-se cada vez mais comuns na China, incluindo roubos de veículos em trânsito.

O relatório tem por base dados do Supply Chain Risk Exposure Evaluation Network (SCREEN) do BSI que incluem uma avaliação contínua a 22 fatores de risco em 204 países.

Os resultados deste estudo focam também questões transnacionais como os atentados terroristas, que contribuíram para perdas avultadas especialmente na Europa e no Médio Oriente. Sendo que o influxo de refugiados na Europa interrompeu a movimentação de cargas em todo o continente, e questões de corrupção motivaram a agitação social em África e na América Central. Eventos meteorológicos extremos, incluindo muitos atribuídos ao fenómeno El Niño, causaram também interrupções na cadeia de aprovisionamento em várias regiões.

Várias indústrias, incluindo a têxtil e vestuário, foram atormentadas pela implementação infrutífera de leis laborais, permitindo taxas significativas de trabalho infantil ou forçado na Argentina e Índia, entre outras regiões. Cerca de 80% da indústria têxtil da Argentina teve o seu aprovisionamento em instalações ilegais em 2015, onde o trabalho forçado e infantil e as más condições são comuns. O BSI observou também um aumento no risco de recurso ao trabalho infantil na Índia, devido às lacunas nas reformas aprovadas em 2015.

Em resposta a estas e outras preocupações recentes, os países europeus e os EUA agilizaram, no ano passado, a aprovação de leis que obrigam a relatórios sobre questões de responsabilidade social corporativa nas cadeias de aprovisionamento das empresas.

Outros problemas com maior prevalência nos sectores do vestuário e do calçado incluem a agitação laboral e as greves. Em 2015, as greves nas fábricas chinesas aumentaram 58,3% em relação ao ano anterior, devido ao atraso nos pagamentos, com os donos das fábricas a debaterem-se com a desaceleração da economia.

A retenção de salários foi apontada como uma das principais causas em 75% dos protestos e gerou perdas até 27 milhões de dólares na indústria do calçado. A indústria têxtil e vestuário foi responsável ​​por 16,9% de todas as greves na China em 2015, enquanto o calçado foi responsável por 6,2% do total.

A agitação laboral na China deverá continuar em 2016, independentemente da melhoria da economia, sugere o relatório do BSI. Uma vez que, o regresso a um crescimento mais rápido da economia chinesa irá acabar por motivar os trabalhadores a exigirem mais aumentos salariais.

Os custos com os trabalhadores nas principais áreas industriais na China têm, também, levado as empresas a deslocalizarem-se para países vizinhos, com salários mais baixos, como o Vietname e o Camboja, servindo como um segundo catalisador de greves no país.

Em síntese, eis as maiores ameaças para as cadeias de aprovisionamento globais em 2016, de acordo com o Just-style:

  • Os custos com os roubos de cargas deverão aumentar em mil milhões de dólares em 2016 – com preocupações crescentes na China, Alemanha, Índia, México, África do Sul e EUA;
  • As tensões persistentes no Mar da China Meridional deverão motivar novos protestos e interrupções;
  • O conflito na Síria continuará a ter impacto na cadeia de aprovisionamento: a crise de refugiados e os controlos nas fronteiras deverão ter impacto considerável;
  • O Estado Islâmico vai manter-se como ameaça significativa às cadeias de aprovisionamento;
  • A agitação laboral na China deverá persistir;
  • As perturbações meteorológicas como o fenómeno El Niño continuarão a representar perdas;
  • As crises de saúde globais, como os vírus Zika e Ébola, podem motivar mais paralisações e protestos.