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Alexandra Moura sem coordenadas exatas

Para a designer de moda, o processo de internacionalização leva o seu tempo. Por isso, a estratégia de Alexandra Moura é continuar a dar voltas ao globo de forma a que a rotação nunca pare de despertar a curiosidade dos consumidores.

Alexandra Moura

«Irreverência urbana, romântica e conceptual» são as palavras da designer Alexandra Moura para descrever a marca destinada a todas as pessoas que se identifiquem com estes parâmetros. «São pessoas informadas que têm uma boa cultura visual, que conhecem moda mas que também gostam de ser individualistas na forma de vestir e estar», afirma a designer que ganhou o Globo de Ouro na categoria de melhor estilista em 2018.

Por terem esta capacidade de fazer viajar até outra realidade, as criações de Alexandra Moura revelam ser muito mais que uma mera peça de roupa. «São pessoas que gostam de apreciar detalhes, que gostam de perceber como é que as coisas são feitas, gostam de perceber que há uma história por detrás, que tudo faz sentido, que não é só uma peça de roupa», revela ao Portugal Têxtil. 

Foi com a coleção “Gadidae” que Alexandra Moura, formada pelo IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, fez desfilar as histórias da coleção primavera-verão 2020 pela passerelle da última edição do Portugal Fashion. E como é habitual, o trabalho da designer não seguiu tendências, mas sim um conceito. «As cores foram muito trabalhadas pelo próprio tema, que tem a ver com o pescador bacalhoeiro, com toda a família que fica em terra, o contraponto entre as peças mais rudes e pesadas do alto mar com as peças mais delicadas, femininas e românticas de quem fica e da casa. As cores foram muito baseadas dentro do vestuário, quer deles quer delas, das mulheres, uma coisa mais delicada com azuis e laranjas que tem a ver com o lado mais rude da própria profissão», explica Alexandra Moura, que optou por usar algodão, seda, tule e matérias-primas impermeáveis nas peças da coleção.

Instabilidade segura

Num mercado em que as opiniões em metamorfose constante denunciam a instabilidade, o segredo para o sucesso é afirmar o ADN da marca. «Acima de tudo temos de ser muito genuínos, muito próprios e vincar o nosso ADN enquanto marca, para definirmos também a nossa posição no mercado», assegura. 

Segundo Alexandra Moura, a internacionalização está a impulsionar o crescimento da marca, que já fez viajar várias coleções até Londres, Paris e Milão. «As nossas apostas continuam a manter-se numa estratégia internacional. A marca também está a chegar a mais pessoas, está em crescimento. Começa a haver mais curiosidade, logo o retorno também começa a ser mais interessante», garante. 

Escolher coordenadas específicas para voar mais alto não faz parte dos planos da designer, que quer adotar uma posição segura em todos os pontos do globo. «Estamos a fazer a etapa que queríamos, a parte da internacionalização. Tudo isto agora é um processo e também tem o seu tempo. O mercado está cada vez mais instável no sentido em que há muita coisa a acontecer, muda-se muito rapidamente do que se quer para o que não se quer. Não é que haja uma aposta num mercado específico porque todos são importantes. Aquele que não ligava tanto à moda conceptual agora pode ligar mais», conclui.