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Alfaiates procuram aprendizes para ingressar na profissão

Comprar no pronto-a-vestir é um disparate, para melhor se servir é comprar no alfaiate”. É com este slogan que os alfaiates portugueses pretendem chamar à atenção para um problema fulcral que afecta a profissão: a extinção do ofício. Esta constatação não causa espanto pois o pronto-a-vestir levou os últimos clientes do sector e não há jovens a quem ensinar os conhecimentos da profissão. E foi precisamente para debater este e outros assuntos que vários profissionais da agulha se reuniram este fim-de-semana no 12º Encontro Nacional de Alfaiates, em Bragança. “Dentro de alguns anos a profissão vai acabar de certeza”, lamentou ao Jornal de Notícias o responsável pela organização do encontro, António Francisco Pires, alfaiate há 37 anos. A aprendizagem do ofício é lenta e pouco lucrativa porque os mestres nem sempre têm lucros suficientes para poderem pagar aos aprendizes. Américo Faria, 78 anos, alfaiate desde os 10 anos, vive esta situação: “É uma profissão delicada, temos que saber compor uma figura, é necessário uma aptidão natural que nem todos possuem”, afirmou ao Jornal de Notícias. Para o alfaiate, um dos factores que determinaram o estado actual da profissão foi o facto dela ter sido sempre exercida por gente muito humilde que não a soube valorizar. Em Bragança existem apenas quatro alfaiates e no país estima-se que não cheguem a mil, apesar de apenas constarem cerca de 320 da lista da organização. A média de idades dos profissionais ronda os 60 anos sendo que os alfaiates mais novos já andam na casa dos 50. Mas a idade não implica desactualização. É um facto que apesar dos tempos de crise estes alfaiates mantêm-se atentos às novas modas e tendências. Os clientes que ainda procuram os alfaiates são aqueles que por deficiências físicas se vêem impedidos de comprar nos circuitos habituais do pronto-a-vestir. “Os deficientes ou os que querem esconder algum defeito que nos procuram, para lhe melhorarmos o aspecto. Aliás, um bom alfaiate consegue dar um aspecto elegante a quase toda a gente e deve esforçar-se por isso, porque esse é o verdadeiro talento”, afirmou Américo Faria. Outro dos temas abordados no encontro foi a inexistência de um organismo que lute pela classe e que faça uma maior divulgação da profissão. Para por termo ao risco de extinção da profissão, uma das soluções apontadas foi a da integração do ofício nas escolas profissionais.