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Algas por um fio

A fiação Streiff, de origem suíça, acaba de desenvolver um fio composto por fibras de algodão e de algas, o qual baptizou de Seacell. Os tecidos realizados a partir deste fio difundem, em contacto com a pele, os princípios activos das algas, benéficos para a renovação celular e para a pele (principalmente em caso de neurodermia). Sanders, um dos principais fabricantes alemães de tecidos para edredões, procurava novos materiais capazes de favorecer a recuperação do corpo durante o sono. A Streiff propôs-lhe um fio que apresenta 70% de fibras longas de algodão, 20% de Seacell e 10% de Seacell Active (Seacell associado à prata e reputado pelas suas propriedades bacteriológicas). As capas de edredão da Sanders, fabricadas com este fio, já se encontram no mercado desde o passado mês de Janeiro. O inconveniente deste fio é não poder ser branqueado, devendo assim permanecer na sua cor natural, que é idêntica à dos algodões bio. «Um detalhe, em comparação com os benefícios que proporciona», considera Andreas Schradin, responsável pela I&D da Sanders. De qualquer modo, os edredões são habitualmente revestidos de outras capas coloridas. O novo fio Streiff também seduziu os fabricantes de vestuário, que deverão apresentar ainda no decorrer deste mês alguns produtos bastante inovadores. Em particular, uma empresa alemã prepara-se para lançar uma colecção de camisas fabricadas com 70% de algodão de fibras longas e de qualidade superior e com 30% de fibras Seacell (ou com Seacell Active). A sua colecção será apresentada em diferentes tons pastel. Um outro fabricante alemão prepara igualmente uma linha de roupa interior produzida com Seacell Active. A empresa suíça Rohner, produtora de meias de alta gama, vai apresentar uma colecção de meias que contêm igualmente Seacell Active. «Os testes efectuados revelam que este novo fio tem muito boas qualidades anti-odores e anti-bacterianas», adianta Andy Freudiger, director da Streiff, de forma a explicar este súbito sucesso. A fibra têxtil a partir da qual a Streiff produz os seus novos fios foi desenvolvida pela empresa alemã Zimmer. Esta empresa levou a cabo vários ensaios de modo a assegurar que os princípios activos das algas incorporadas na fibra Seacell permanecem invariáveis após numerosas lavagens e que, em meio húmido, a fibra é capaz de fornecer à pele, sistematicamente, a maior parte desses princípios activos. Actualmente, quatro fiações europeias (espanholas e italianas), além da própria Streiff, detêm o direito exclusivo de utilizar a fibra Seacell. Fiel à sua tradição, a Streiff fabrica os fios mais finos. A fiação suíça procurava, já há alguns anos, uma nova ideia para conferir à sua matéria-prima de base – o algodão – um valor acrescentado. «Perguntámos à nossa clientela que tipo de novo fio gostariam de ter», conta Andy Freudiger. «Esta evocou frequentemente o movimento actual em favor do bem-estar e da talassoterapia. Por conseguinte, as nossas buscas orientaram-se nesse sentido». Estes fios destinam-se certamente a uma clientela de alta gama, pois o seu preço excede duas a três vezes o de um fio de algodão de elevada qualidade (a fibra Seacell custa ela própria cerca dez vezes mais do que o algodão). Com 40.000 fusos e 125 toneladas de fios produzidos por mês, a Streiff permanece uma média empresa de natureza familiar, que emprega 110 trabalhadores. O grupo, implantado perto de Zurique, exporta 80% da sua produção, principalmente para a Itália e a Alemanha. Há décadas que a empresa privilegia a produção de fios com títulos bastante finos, uma qualidade estável e um serviço muito flexível. «Quando se trata de produzir rapidamente uma pequena quantidade de fios finos, sentimo-nos imediatamente no nosso elemento», sublinha Andy Freudiger. «Neste sentido, o encurtamento dos ciclos da moda, com pequenas colecções intermediárias, como conhecemos actualmente, representa um bom negócio para a Streiff, mesmo que nem sempre seja fácil ao nível da produção».