Início Notícias Têxtil

Algodão chinês a leilão

O governo chinês retomou, esta semana, as vendas anuais das suas reservas de algodão – um movimento que espera poder vir a encolher os stocks do país para o seu nível mais baixo em seis anos.

O leilão oferecerá cerca de 30 mil toneladas por dia até ao final de agosto, de acordo com a última atualização mensal do Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) – sendo que poderá ser colocado à venda ainda mais algodão, se a procura for forte e os preços de mercado subirem, avança o portal Just-style.

No entanto, há também preocupações de que a liquidação possa não ser tão forte como a do ano passado, devido à baixa qualidade do algodão em stock e rumores de que a China já terá vendido o melhor das suas reservas.

No ano passado, cerca de 2,6 milhões de toneladas foram vendidas dos stocks do país, que foram reunidos pela China National Cotton Reserve Corporation entre 2011 e 2014. Supondo que este ano será vendido uma quatidade semelhante, o volume total detido pelo governo chinês pode chegar aos 6 milhões de toneladas até ao final da temporada 2016/17, prevê o ICAC.

Ainda assim, as reservas totais da China, incluindo do sector privado, deverão chegar aos 9,3 milhões de toneladas no final de 2016/17 – representando 53% dos stocks mundiais. Globalmente, os stocks finais mundiais devem cair 7%, para 17,9 milhões de toneladas em 2016/17.

Analisando a temporada 2017/18, estima-se que o consumo mundial de algodão exceda a produção em 1,2 milhões de toneladas e que os stocks caiam pela terceira vez consecutiva, para 16,7 milhões de toneladas.

Os stocks finais da China podem baixar 19% para 7,5 milhões de toneladas, representando 45% dos stocks mundiais no final de 2017/18, assinalando a primeira temporada (desde 2011/12) em que os stocks chineses representam menos de metade dos stocks mundiais.

Os stocks finais fora da China deverão crescer 7%, para 8 milhões de toneladas em 2017/18, o que poderá pressionar os preços nesta temporada, admite o grupo intergovernamental. Dito isto, o ICAC subiu a sua previsão para os preços médios do algodão em 2016/17 em 2 centavos, para 77 centavos por libra (aproximadamente 73 cêntimos).

Produção mundial de algodão

A produção global de algodão deverá crescer em 23,1 milhões de toneladas, com uma área cultivada de 30,4 milhões de hectares em 2017/18. A produção de algodão da Índia deverá crescer 2%, para 5,9 milhões de toneladas, com expansão de 7% para 11,2 milhões de hectares. Enquanto isso, a produção de algodão da China pode aumentar em 2%, para 4,8 milhões de toneladas.

Ainda que os preços altos do algodão em relação às culturas concorrentes sejam suscetíveis de conduzir a um grande incremento na área cultivada nos EUA em 2017/18, a produção deverá aumentar apenas 1% para 3,7 milhões de toneladas. A produção de algodão do Paquistão deverá crescer 11%, para 1,9 milhões de toneladas.

Consumo mundial de algodão

Depois de uma queda de 1% para os 24 milhões de toneladas em 2015/16, espera-se que o consumo mundial de algodão permaneça estável em 2016/17. Dada a forte procura nesta temporada e o crescimento económico mundial previsto em 2017 e 2018, a utilização mundial de fiações deverá aumentar em 1% para 24,3 milhões de toneladas.

O consumo e a participação da China no total mundial diminuíram continuamente entre as temporadas 2010/11 e 2015/16, quando atingiram 7,4 milhões de toneladas. Embora se preveja que a utilização das unidades de fiação cresça entre 2% e 7,6 milhões de toneladas em 2016/17 e entre 1% e 7,7 milhões de toneladas em 2017/18, a participação mundial no consumo de algodão deverá permanecer nos 30%.

O consumo de algodão nas unidades de fiação na Índia deverá diminuir em 3%, para 5,1 milhões de toneladas em 2016/17, mas deverá recuperar 1%, para 5,2 milhões de toneladas, em 2017/18.

Já o consumo no Bangladesh continua a crescer devido às exportações de produtos têxteis, com a utilização pelas unidades de fiação a subir 5% para 1,5 milhão de toneladas em 2017/18. Por sua vez, a utilização pelas unidades de fiação no Vietname mais do que duplicou nos últimos cinco anos, de cerca de 500 mil toneladas em 2012/13 para os esperados 1,2 milhões de toneladas em 2017/18.

Comércio mundial de algodão

O comércio mundial deverá crescer 3%, para 8 milhões de toneladas em 2017/18. Espera-se que o volume de importações da China aumente 11% para 1,1 milhões de toneladas em 2017/18, já que a utilização pelas unidades de fiação continua a superar a produção. As importações do Bangladesh deverão aumentar em 3% para 1,5 milhões de toneladas em 2017/18, enquanto as importações do Vietname deverão aumentar 7% para 1,24 milhões de toneladas.

Prevê-se que os EUA continuem a ser o maior exportador mundial de algodão e o seu volume cresça 5%, para 2,9 milhões de toneladas em 2017/18. As exportações da Índia, segundo maior exportador mundial, deverão aumentar 3%, para 990 mil toneladas.