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Algodão chinês libertado

A China irá começar a vender o seu inventário de algodão este ano, uma medida que contribuirá para a diminuição da procura, com as unidades fabris do país a adiarem a compra, em antecipação das vendas de fibra promocionais.

Nas últimas semanas emergiram rumores sobre a intenção de Pequim libertar algumas das suas reservas de algodão, que aumentaram em cerca de 10 milhões de toneladas – mais de 40% das reservas mundiais – ao abrigo de um regime de compra estatal, agora abandonado, que pretendia apoiar os agricultores.

A China, o maior consumidor mundial de algodão, irá emitir planos de venda detalhados nos próximos 10 dias, informou Yin Jian, representante da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma (CNDR). Yin Jian ressalvou as repetidas indicações do governo chinês sobre não pretenderem pressionar o mercado, advertindo que as condições para a liberação do inventário incluíam a estabilidade dos preços e do mercado. «Não iremos pressionar os preços de mercado», sublinhou.

No entanto, as entidades da indústria afirmaram que a fibra resultante de colheitas antigas, que se encontra em reserva, terá de ser vendida com elevados descontos de forma a atrair compradores. As expectativas de uma liquidação de inventário são já exacerbadas pela diminuição da procura de algodão na China, com as unidades fabris a manterem o seu inventário em valores mínimos, em antecipação aos leilões estatais previstos. «A parte difícil será reduzir gradualmente o inventário sem aniquilar o preço do algodão», apontou Ron Lawson, membro da empresa californiana de investimento Logic Advisors. Os preços globais do algodão têm-se fixado em valores mínimos de cinco anos durante os últimos 10 meses, pressionados pela diminuição da procura e pelos stocks de grandes dimensões. Yin Jian afirmou que serão necessários vários anos para que o mercado assimile as reservas chinesas de algodão em poder do Estado.

Das reservas ao subsídio
Enquanto Pequim é pressionado a libertar reservas de forma a recuperar parte dos seus custos de armazenamento, a eminência de grandes descontos poderá conduzir a uma diminuição dos preços de mercado e levar a um aumento dos custos suportados pelo governo, no âmbito do regime de subsídios aos agricultores. Atualmente, a China define um preço-alvo para o algodão e paga aos agricultores a diferença entre o preço definido e o preço médio de mercado. O regime de subvenções substituiu o regime de armazenamento anterior, que deverá agora enfrentar novas alterações.

A China é pressionada a encontrar novas formas de apoiar os agricultores, num momento em que grupos de agricultores dos EUA e de outros mercados reclamam face às medidas adotadas pelo governo chinês que, afirmam, terá já ido além do permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A CNDR admite precisar de tempo para aperfeiçoar a nova política de subsídios, que atualmente contempla o algodão e a soja, antes de estendê-la a outras culturas. Dai Gongxing, porta-voz da Associação de Algodão da China, afirmou que o país poderá explorar novas formas de subsidiar os seus agricultores, através de seguros, subsídios à inovação tecnológica e construção de infraestruturas e promoção de vendas. A produção de algodão na China, o segundo maior produtor do mundo, superado apenas pela Índia, deverá decair amplamente após a revisão das políticas de apoio. Yin Jian afirmou que a região noroeste de Xinjiang continuará a ser a principal área produtora de algodão do país, pelo que os agricultores de outras regiões deverão reduzir a sua área de cultivo.