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Algodão com alternativa

O novo contrato mundial de algodão da Intercontinental Exchange (ICE) começou a ser negociado no início de novembro, com 21 contratos a trocarem de mãos, numa ação que dá aos agricultores, fiações e comerciantes a primeira alternativa aos preços fixados pelo índice norte-americano.

O contrato mundial de algodão, para entrega em maio de 2016, fixou no passado dia 2 de novembro o preço em 71,23 cêntimos de dólar por libra (equivalente a 453 gramas), com cerca de 2.400 fardos (de 480 libras cada) em negociação. Isto representou mais 7,47 cêntimos de dólar face ao contrato de maio para o algodão dos EUA.

A quantidade, contudo, é pouco significativa face aos 95.300 fardos negociados no contrato de algodão americano de maio ou em comparação com os 11 milhões de fardos transacionados no contrato de dezembro, ainda ativo.

Segundo a Reuters, este volume reduzido resultou da falta temporária de limites de preços diários, juntamente com a ausência de opções de compra, que deixou muitos comerciantes preocupados com os riscos de negociar um contrato com baixa liquidez nesta fase inicial.

«Estão todos à espera que alguém dê o primeiro passo», afirma Ron Lawson, sócio da Logic Advisors, uma empresa de investimento em commodities com sede em Sonoma, na Califórnia, à Reuters. «Quando existe um limite de quanto se pode perder, as pessoas ficam um pouco menos relutantes em tomar uma posição», acrescenta.

A primeira transação ocorreu apenas 14 horas após o início da negociação do contrato, com cinco contratos comerciais a trocarem de mãos a um preço de 72,27 cêntimos de dólar por libra.

Este novo contrato de algodão surgiu após anos de lobby por parte dos comerciantes, que consideram que a dependência face ao contrato dos EUA como referência mundial significa que o preço não é representativo dos valores realmente pagos (que inclui a transação e os custos de transporte) e deixava o contrato vulnerável a pressões.

A ICE tem procurado ativamente reunir o apoio de comerciantes, fiações e banqueiros de todo o mundo para o contrato, que permitirá a entrega de algodão de nove origens e contemplará pontos de entrega mundiais mais adequados aos clientes da indústria têxtil asiática.

Se o contrato conseguir manter-se pouco volátil, um maior número de entidades comerciais e, em última análise, os especuladores irão querer aderir, acredita Louis Rose, comerciante de algodão e consultor independente da Risk Analytics, sediada em Memphis, estado americano do Tennessee. «O volume irá aumentar, mas isso não acontecerá do dia para a noite», sustenta Rose.