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Algodão continua em alta

O preço do algodão atingiu o seu valor máximo dos últimos dois anos em Nova Iorque, após um mês completo de subidas na sequência das restrições à exportação impostas pela Índia e do aumento da procura desta matéria-prima nos mercados internacionais. Durante o último ano, a subida do algodão situa-se já nos 66% devido a uma procura superior à oferta. Perante o anúncio das autoridades indianas que iriam suspender o registo de contratos de exportação a partir de 19 de Abril e sem data de término, os futuros negociados na bolsa de derivados de Nova Iorque registaram imediatamente uma subida de 3%. Esta restrição imposta pelas autoridades indianas irá pressionar ainda mais os preços do algodão nos mercados internacionais em virtude da Índia ser o segundo maior produtor mundial logo a seguir à China. As autoridades chinesas tomaram esta medida como forma de controlar os preços no seu mercado interno e auxiliar desta forma os produtores têxteis que dependem desta matéria-prima, e do seu custo, para manterem a sua competitividade internacional. Esta medida proteccionista, tomada pelas autoridades indianas, tem assim um duplo efeito: por um lado, protege os custos das empresas indianas e, por outro, faz aumentar o preço do algodão para as suas concorrentes internacionais. Estes dois factores conjugados fazem, assim, com que os têxteis indianos se tornem ainda mais competitivos nos mercados internacionais. Os analistas são unânimes quanto à futura evolução dos preços do algodão. Espera-se, deste modo, a continuação da escalada dos mesmos à medida que as economias vão saindo da recessão e os níveis de consumo estabilizam. A China, maior consumidor mundial desta matéria-prima, está já a sentir falta de algodão, quer pela redução da sua produção derivada das condições climatéricas, ou do aumento da procura, quer pela menor disponibilidade nos mercados internacionais. Um pouco por todo mundo, a indústria têxtil começa a ficar preocupada com os preços e com a falta de algodão. Em última instância, estes acontecimentos irão trazer problemas para o sector, que verá os seus custos aumentarem sem conseguir passar esse aumento para os seus clientes.