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Algodão e mão-de-obra inflacionam vestuário

O algodão encontra-se a um preço sem precedentes e os trabalhadores em países como o Bangladesh e a China, os principais fornecedores do Ocidente, auferiram aumentos salariais significativos depois de greves e pressões políticas – um duplo golpe para os retalhistas dependentes dos compradores europeus sensíveis ao preço. Os custos de produção vão afectar desde gigantes como a Inditex e a Hennes & Mauritz até às empresas mais pequenas, como a Primark. «A pressão está a surgir das matérias-primas e dos custos laborais, particularmente nos mercados emergentes», afirmou Matthias Born, gerente de fundos RCM na Allianz Global Investors. Os sectores que forem incapazes de responder à subida dos de preços nos mercados emergentes acabam por perder, porque «em última análise, têm a pressão das margens», disse Mislav Matejka, da JP Morgan, referindo-se a empresas onde «uma parte significativa do custo das mercadorias vendidas está exposta ao algodão ou ao preço de outras mercadorias». «Durante 20 anos, os preços das roupas caíram. Agora, com um ambiente de consumo relativamente fraco e o mercado laboral difícil, [os retalhistas] poderão ter de reduzir a margem para proteger a quota de mercado», acrescentou Matejka. Esta pressão salarial foi registada em aumentos de um dígito baixo em empresas estatais chinesas, 5-10% em algumas empresas de propriedade alemã e aumentos de dois dígitos em empresas subcontratadas que produzem tecnologias de informação ou vestuário para empresas ocidentais, segundo revelou Born. Enquanto os trabalhadores chineses têm estado particularmente activos no aumento do salário mínimo em 2010, com o apoio de Pequim, a pressão tem contagiado outros centros produtores de vestuário, como Bangladesh e Camboja. Os trabalhadores no Camboja saíram em protesto no mês de Setembro com reivindicações de um aumento de 50% no salário base, enquanto Dhaka praticamente duplicou o salário mínimo no Bangladesh, apesar da base ser muito menor do que para os trabalhadores na China. A pressão salarial surge num momento em que o preço do algodão está em alta, tendo aumentado 70% em 2010. A somar aos problemas dos retalhistas encontra-se o panorama económico da Europa. Os recentes dados da Zona Euro evidenciam um crescimento económico de 0,4% no terceiro trimestre, contra 0,8% na Grã-Bretanha e 9,6% na China.