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Algodão egípcio em recuperação

A produção e exportação de algodão egípcio estão no seu nível mais alto em cinco anos, após um forte investimento na promoção e na sustentabilidade para recuperar a reputação da fibra. A estratégia inclui ainda a certificação de produtores, onde Portugal conta atualmente com duas empresas “aprovadas”.

Em 2018/2019, as exportações da matéria-prima registaram um aumento de 45%, de acordo com a mais recente atualização da Cotton Egypt Association (CEA). A organização tem vindo a apoiar a implementação das atividades do Egyptian Cotton Project, que inclui uma abordagem inovadora à formação e consciencialização em toda a cadeia de aprovisionamento.

Anunciada em março com a UNIDO, a iniciativa pretende impulsionar os esforços de sustentabilidade e melhorar as condições para os trabalhadores na cadeia de produção do algodão egípcio. Os parceiros estão igualmente a trabalhar num lançamento-piloto da BCI. «O algodão egípcio já é o melhor do mundo. O nosso objetivo e ambição é torná-lo não só no algodão mais sustentável, mas que tenha também uma cadeia de aprovisionamento rastreável e transparente, com impactos positivos em todos os passos – do agricultor à marca, ao retalhista e ao consumidor», explica o diretor-executivo da CEA, Khaled Schuman.

Para além de adotar métodos de produção orgânicos e reduzir o consumo de água e pesticidas, o Egyptian Cotton Project está a implementar programas de educação para promover a saúde e bem-estar dos trabalhadores, igualdade de género e oportunidades empresariais para os mais jovens através de sessões de consciencialização que respondem a tópicos como o trabalho infantil e a importância da formação e do emprego qualificado. «As áreas de teste que adotaram práticas sustentáveis registaram um aumento de 30% na colheita de algodão e uma diminuição de 25% a 30% no consumo de água, segundo os dados do projeto», afirma Schuman.

Mais investimentos

O Egyptian Cotton é reconhecido como uma marca de luxo e, em janeiro, o governo nomeou um comité para salvaguardar o seu futuro após vários problemas – incluindo um escândalo que permitiu que lençóis da Target Corporation, produzidos pela Welspun, fossem vendidos como produtos com algodão egípcio premium.

Entre as medidas recentes, o governo anunciou em agosto um investimento de 21 mil milhões de libras egípcias (1,15 mil milhões de euros) para promover o algodão egípcio, com o Primeiro-Ministro Mostafa Madbouly a afirmar que o desenvolvimento da indústria têxtil e a promoção do cultivo e comércio do algodão egípcio estão entre as prioridades do executivo. Já em junho, a CEA tinha anunciado a duplicação dos esforços para responder às fraudes na cadeia de aprovisionamento de algodão, tendo publicado uma lista com os produtores acreditados e os que não cumprem os critérios. Atualmente, de acordo com o site da associação, a produtora paquistanesa Indus Home Limited é a única na “lista negra”. Quanto aos “licenciados”, fazem parte as portuguesas Lameirinho e ACL Impex (em renovação).