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Algodão em números

O Comité Consultivo Internacional do Algodão divulgou as previsões relativas às variações comerciais de transação e circunstâncias de produção desta fibra à escala mundial.

As importações mundiais de algodão deverão permanecer inalteradas, fixando-se em 7,6 milhões de toneladas no período 2015/2016, num momento em que a queda das importações chinesas é compensada pelo crescimento assinalado no Bangladesh, Vietname e Indonésia.

A China assegurará, uma vez mais, a sua posição cimeira como principal importador mundial de algodão, mas deverá registar uma queda de 12% nas suas importações, somando 1,6 milhões de toneladas na temporada 2015/2016 – 30% aquém do volume máximo alcançado em 2011/2012.

Em 2015, o governo chinês restringiu as importações, fixando-as no valor mínimo requerido pela Organização Mundial do Comércio, uma medida que teve como objetivo estimular as unidades de produção do país a aprovisionarem-se internamente. Em julho e agosto de 2015, o governo vendeu cerca de 60.000 toneladas provenientes das reservas, mas dispõe ainda de 11 milhões de toneladas.

Considerando o elevado volume de produção e reservas, «as importações chinesas deverão ser restringidas, uma vez mais, em 2016», revelou o Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla inglesa).

Paralelamente, as importações de outros países deverão aumentar 4%, fixando-se em 5,8 milhões de toneladas, o que significa um número superior de expedições provenientes do Bangladesh, Vietname e Indonésia, os três maiores importadores de algodão depois da China.

As importações do Bangladesh deverão aumentar 1% para 972.000 toneladas, enquanto as importações do Vietname poderão testemunhar um crescimento de 2%, para 956.000 toneladas. Após a diminuição assinalada em 2013/2014, as importações da Indonésia recuperaram 13%, fixando-se em 735.000 em 2014/2015, e deverão crescer uma percentagem adicional de 6% esta temporada.

No respeitante às exportações, os Estados Unidos da América asseguram a liderança em termos de volume, embora as suas exportações devam cair 9%, fixando-se em 2,2 milhões de toneladas, na sequência dos menores volumes de produção obtidos este período.

Após o declínio de 48% na temporada 2014/2015, as exportações indianas recuperaram 34%, fixando-se em 1,2 milhões de toneladas, adiantou o ICAC. As exportações nos três maiores exportadores seguintes deverão diminuir, devido à redução dos seus excedentes de exportação. As exportações brasileiras enfrentarão um decréscimo de 10%, somando 766.000 toneladas de algodão, o Uzbequistão registará um queda de 5%, para 565.000 toneladas, e a Austrália deverá perder 10%, respondendo por 467.000 toneladas.

As consequências da diminuição de preços observada em 2014/2015 conduziram a uma redução da área de cultivo de algodão mundial, que deverá cair 7% para 31,1 milhões de hectares em 2015/2016.

Em resultado destas circunstâncias, a produção mundial de algodão diminuirá 9%, para 23,8 milhões de toneladas. A área de cultivo de algodão na Índia deverá cair 5%, para 11,6 milhões de hectares, e a produção 2%, para 6,4 milhões de toneladas.

Por sua vez, a produção de algodão na China apresentará um declínio de 16%, fixando-se em 5,4 milhões de toneladas, devido a uma redução de 12% da área de cultivo, conjugada com uma queda de 5% da produção, em resultado de circunstâncias climatéricas desfavoráveis.

Depois de uma expansão de 24% da área de cultivo em 2014/2015, os Estados Unidos perderam agora 13%, somando 3,3 milhões de hectares, com a produção a cair 11%, para 3,2 milhões de toneladas. A produção do Paquistão deverá diminuir 11%, fixando-se em 2,1 milhões de toneladas.

De acordo com os dados divulgados pelo ICAC, o consumo global de algodão poderá aumentar 2% na temporada 2015/2016, para 25 milhões de toneladas, com o crescimento do consumo a manter-se estável ou a diminuir em diversos países em comparação com o período anterior.

O consumo em território chinês, o principal consumidor de algodão mundial, deverá permanecer inalterado esta temporada, respondendo por 7,7 milhões de toneladas. O crescimento do consumo na Índia deverá abrandar 3%, atingindo os 5,6 milhões de toneladas, enquanto no Paquistão deverá fixar-se nos 2%, somando 2,6 milhões de toneladas.