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Algodão em sobe e desce

A recuperação da pandemia de Covid-19, juntamente com uma redução prevista da produção mundial de algodão, que foi revista em baixa pelo International Cotton Advisory Committee em fevereiro, deverá impulsionar o comércio da fibra na época 2020/2021.

[©Pixabay/imaginationphotog]

De acordo com a mais recente atualização do International Cotton Advisory Committee (ICAC), a produção mundial deverá cair 8%, para 24 milhões de toneladas, na próxima época, com descidas de dois dígitos no tamanho da colheita esperada nos EUA, Brasil, Paquistão, África Ocidental, Turquia e Uzbequistão.

Pelo menos no que diz respeito aos EUA, os mais recentes números divulgados pelo National Cotton Council (NCC) confirmam as expectativas do ICAC, com as projeções a apontarem para uma redução de 5,2% na plantação de algodão de 2021, para cerca de 4,6 hectares, nos EUA, devido à concorrência de colheitas mais lucrativas como o milho, soja, trigo e sorgo. «A pandemia de Covid-19 devastou as cadeias de aprovisionamento têxtil com as lojas de retalho a encerrarem as portas durante meses», indica o NCC. «Com o colapso na procura de algodão a persistir em 2020, os impactos negativos foram sentidos na indústria de algodão dos EUA», acrescenta.

A queda antecipada pelo ICAC na produção é uma revisão em baixa face aos dados de dezembro de 2020, quando o organismo internacional antecipava uma produção de 24,7 milhões de toneladas.

Exportações em alta

Uma vez que parte dessas quebras deverão ocorrer em países consumidores da fibra, que dependem da produção interna para alimentar as suas fiações, «o comércio mundial deverá recuperar em 2020/2021, para 9,3 milhões de toneladas», aponta o comunicado do ICAC. Dois dos principais exportadores mundiais, os EUA e o Brasil, deverão registar um aumento de 45% e 17%, respetivamente, na próxima época.

[©Pixabay/David Mark]
Segundo o NCC, as exportações dos EUA deverão atingir 15,8 milhões de fardos no ano comercial de 2020, que ainda vigora – até 4 de fevereiro, o país tinha já encomendas de 14,1 milhões de fardos, tendo expedido 7,8 milhões de fardos. No próximo ano comercial, contudo, as expectativas são de uma queda ligeira, para 15,4 milhões de fardos, fruto da concorrência de outros mercados.

Entretanto, os stocks finais para a época 2020/2021 estão agora estimados pelo ICAC em 21,1 milhões de toneladas, potencialmente aliviando a pressão sobre os preços. O valor é igualmente uma revisão em baixa face a dezembro, quando apontava para stocks finais de 21,7 milhões de toneladas.

A atual projeção de preço para a média do A Index no final do ano é de 0,735 dólares por libra (cerca de 1,34 euros por quilo), uma recuperação em comparação com os 0,694 dólares por libra (cerca de 1,27 euros por quilo) em dezembro.