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Algodão estabilizado

Os preços globais do algodão permanecerão estáveis em 2016, mesmo que a produção doméstica indiana caia entre 10% a 15%, revela um novo relatório elaborado pela agência de classificação de crédito ICRA.

Intitulado “Perspetivas sobre o Preço do Algodão e Impacto Consequente na Indústria de Fiação Indiana”, o documento refere que o aumento das intervenções governamentais tem impulsionado os preços ao longo dos últimos anos. Apesar do aumento da oferta e negligenciável crescimento da procura ao longo dos últimos quatro anos, o preço e o comércio do algodão à escala global são cada vez mais impulsionados pelas políticas governamentais praticadas nos vários países produtores e consumidores.

A aquisição massiva de algodão por parte da China durante as temporadas 2011/12 e 2013/14 a preços mínimos mais elevados do que os praticados internacionalmente aumentou a dependência das unidades de fiação chinesas face a algodão de importação mais barato, resultando assim num aumento das importações da China e, portanto, num aumento dos preços.

O aumento da importação por parte da China sustentou os preços internacionais em cerca de dois dólares por quilograma, apesar do aumento dos níveis de stock de algodão globais, com cerca de 50% da produção de algodão chinesa acumulada anualmente pelo governo chinês no âmbito do seu programa de apoio a não estar, portanto, disponível no mercado. Posteriormente, com uma mudança na política de algodão da China, os preços internacionais sofreram um declínio acentuado com o índice Cotlook A, o aferidor de preços mais importante, a cair cerca de 24% (para 1,58 dólares/quilograma) no passado mês de abril, em comparação anual.

A mudança na política de algodão da China para mecanismo de subsídio direto aos agricultores, face a uma política anterior de apoio aos preços através de programas de compra de reservas, aumentou a disponibilidade de algodão doméstico a preços de mercado, necessário às unidades de fiação chinesas, e reduziu a dependência das importações.

O relatório aponta, também, que a dinâmica oferta-procura foi distorcida pelo governo indiano no ano 2014/2015. Mediante a diminuição da necessidade de importação da China e uma consequente queda nos preços internacionais, os preços do algodão na Índia – o maior produtor de algodão do mundo – caíram para valores inferiores aos preços oferecidos pelo governo indiano.

Isto conduziu a uma aquisição maciça por parte de entidades governamentais indianas, reduzindo, assim, os stocks domésticos, bem como os dos mercados internacionais, apoiando simultaneamente os preços internacionais face aos preços disponibilizados pelo governo indiano. Sem as operações de apoio, os preços domésticos e internacionais poderiam ter diminuído ainda mais.

De acordo com o relatório, o cultivo de algodão permanece atrativo para os agricultores indianos, o que evitará qualquer grande substituição por culturas alternativas e, portanto, atenuará as preocupações face a uma menor produção. Embora seja uma estimativa inicial, a área cultivada no atual ano 2015/2016 não deverá diminuir significativamente, pois mesmo após um declínio nos preços do algodão no mercado interno de cerca de 21% em relação ao último ano, os elevados apoios financeiros para o algodão perpetuam a atratividade do negócio, com o lucro a permanecer superior ao das culturas concorrentes.