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Algodão indiano compensa americano

Depois dos furacões Harvey e Irma terem assolado os EUA, os maiores compradores globais de algodão, todos localizados na Ásia, estão a voltar-se para a Índia para assegurarem as cadeias de aprovisionamento.

O maior exportador de algodão viu o tamanho e a qualidade das plantações da fibra afetadas pelas tempestades que atingiram o território norte-americano, analisa a Reuters.

Nas últimas semanas, a Índia, o segundo maior exportador de algodão do mundo, fechou negócios para vender cerca de um milhão de fardos para a China, Taiwan, Vietname, Paquistão, Bangladesh e Indonésia – fornecedores de vestuário de marcas como H&M, Zara e Wal-Mart.

Os negociantes indianos esperam contratos semelhantes nos próximos meses, o que poderá ajudar as exportações da Índia a crescerem aproximadamente um quarto para a temporada de 2017/2018, que começa no próximo mês de outubro.

«O algodão indiano tem grandes hipóteses este ano», considerou Chirag Patel, diretor-executivo da Jaydeep Cotton Fibers, um dos principais exportadores de algodão do país. «Os compradores asiáticos estão a mudar do algodão americano para o indiano», acrescentou.

Os furacões Harvey e Irma causaram danos nas plantações do Texas e da Geórgia, principais estados produtores de algodão.

«Definitivamente, perdemos algodão no Texas. A tempestade eliminou entre 500.000 a 600.000 fardos», avaliou Peter Egli, da Plexus Cotton, com sede em Chicago, referindo-se ao impacto do furacão Harvey naquele estado norte-americano.

Em 2016, os EUA exportaram 86% do seu algodão, dos quais 69% tiveram como destino a Ásia, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Outros produtores de algodão, como o Brasil e a Austrália, também podem vir a beneficiar com a quebra norte-americana, porém, conseguir manter um preço competitivo em relação à oferta indiana será uma tarefa difícil.

É provável que os agricultores indianos colham um recorde de 40 milhões de fardos de algodão na temporada 2017/2018, a partir de 1 de outubro de 2017, baixando os preços domésticos e tornando as exportações ainda mais competitivas, segundo Patel.

Para a temporada 2017/2018, os agricultores plantaram 12,1 milhões de hectares de algodão, um crescimento de 19% em relação ao ano anterior, mostram os dados do Ministério da Agricultura.

As condições favoráveis da cultura podem ajudar a Índia a vender 7,5 milhões de fardos de algodão no mercado mundial em 2017/2018, comparativamente aos 6 milhões de fardos do ano anterior, antecipou Nayan Mirani, da Khimji Visram & Sons, um dos principais exportadores de algodão do país.

Além dos preços atraentes, também a proximidade incentivou a maioria dos compradores asiáticos a recorrer à Índia.

Enquanto as encomendas aos EUA demoram cerca de 50 dias a chegar ao Vietname, Bangladesh e Paquistão, a Índia pode garantir o algodão em duas semanas. As novas colheitas indianas vão estar disponíveis para os compradores a partir de outubro, mas o aprovisionamento norte-americano chega apenas em janeiro aos consumidores, segundo Mirani, da Khimji Visram & Sons. As tendências atuais do mercado proporcionam aos compradores de algodão a oportunidade de procurar uma cadeia de aprovisionamento alternativa, segundo Vu Duc Giang, presidente da Associação de Têxteis e Vestuário do Vietname.

Recentemente, o Departamento de Agricultura dos EUA, anunciou que a produção de algodão dos EUA deverá rondar os 21,76 milhões de fardos para a temporada 2017/2018, face aos 20,55 milhões de fardos estimados no mês passado.