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Algodão indiano em queda

As exportações de algodão da Índia, o maior produtor mundial da fibra e o segundo maior vendedor, deverão cair 41%, para 7 milhões de fardos, o valor mais baixo dos últimos cinco anos, devido à redução das compras por parte da China. Segundo um responsável do governo, o aumento dos stocks mundiais e o declínio da procura por parte da China – com o objetivo de apoiar os seus próprios produtores – está a prejudicar a entidade estatal Cotton Corporation of India (CCI), que deverá sofrer o maior prejuízo dos últimos seis anos, pelo menos, em relação às vendas na atual época. As exportações mais baixas da Índia podem suportar os preços de referência de Nova Iorque, que caíram para o valor mais baixo numa semana no dia 30 de março. O Comissário Têxtil da Índia, Kiran Soni Gupta, reviu em baixa a previsão de exportações de 9 milhões de fardos, feita em outubro, e afirmou que o país tem de aumentar as vendas para o Bangladesh, Paquistão e Vietname, que em conjunto representam atualmente cerca de 40% das exportações. Os preços mais baixos do algodão indiano podem ajudar a aumentar os envios para estes mercados, embora a procura na China, que habitualmente representava 60% das exportações, não tenha sido encorajadora, afirmou Gupta. «Atualmente há uma boa hipótese de melhorar as exportações (para outros mercados) porque o algodão indiano está a 0,65 dólares por libra, em comparação com o preço de 0,75 dólares do algodão internacional», explicou o Comissário Têxtil, que lidera a agência criada durante a II Guerra Mundial para fornecer vestuário às forças de defesa assim como à população civil. A CCI, que compra algodão a preços estabelecidos pelo governo, tem tido dificuldades nas vendas, apesar de ter já comprado aos agricultores 8,6 milhões de fardos do seu objetivo de 9 milhões de fardos. Até agora, a CCI vendeu apenas 300 mil fardos, revelou o presidente do conselho de administração e diretor-geral B.K. Mishra. A Índia deverá produzir 39 milhões de fardos na colheita deste ano, uma queda em comparação com a previsão de 40 milhões de fardos, uma vez que o rendimento deverá diminuir devido à reduzida precipitação no período de plantação no final do ano passado, referiu Gupta. A procura interna de algodão deverá subir cerca de 7% para 32 milhões de fardos na colheita deste ano.