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Algodão quer reconquistar mercado

O aumento do preço do algodão causou a perda de «uma parte da quota de mercado nos últimos seis a oito meses», indica J Berrye Worsham, director-executivo da Cotton Inc. Mas agora que os preços do algodão caíram e estão mais estáveis, espera-se alguma recuperação. Em grande parte, segundo Worsham, porque nos EUA existe «ainda uma forte preferência dos consumidores pelo algodão». O responsável aponta a «confluência de uma série de eventos» que levaram ao aumento nos preços da fibra, incluindo o dólar norte-americano débil e fracas colheitas na China e na Índia, o que significou que o mercado «estava à procura de algodão, num momento em que ninguém realmente tinha muito para oferecer». Entre os factores que levaram á quebra no preço do algodão inclui-se a existência de mais agricultores a plantar algodão, de modo que, em termos globais, o sector está a produzir mais do que está a consumir. Isto também significa que o sector está a trabalhar para reconstruir os stocks. A reputação do algodão como uma fibra natural sustentável tem sido manchada nos últimos anos por reivindicações de que é responsável por 25% de todos os pesticidas agrícolas nos EUA, além de ser uma cultura muito intensa em termos de água. Mas Worsham minimiza essas afirmações, enfatizando que o algodão representa apenas 6,2% da utilização mundial de pesticidas e que «a sustentabilidade activa» foi incorporada em todos os aspectos da cadeia de fornecimento ao longo dos últimos cinco a dez anos. Worsham destaca ainda como o sector está a trabalhar para se tornar mais sustentável através do uso de meios como imagens de satélite para garantir que os campos estão a receber as matérias-primas certas, e isto vai tornar-se ainda mais frequente no futuro. Ele também refere que a indústria passou de uma estratégia de quintas para uma estratégia de campos e que nos próximos anos tornar-se-á numa estratégia de secção, com os produtores a colocarem as matérias-primas nas partes dos campos que precisam. Um dos objectivos da Cotton Inc é duplicar o rendimento do algodão até 2050 a fim de servir a classe média emergente em todo o mundo. O grupo está a trabalhar numa série de projectos, incluindo programas de melhoria genética e sistemas de biotecnologia, que vão ajudar as plantas de algodão a atingir o seu potencial de rendimento face a ataques de insectos, ervas daninhas e secas. O sector está também a trabalhar para remover a toxina gossipol do algodão para torná-lo comestível para os seres humanos. Este é um projecto em curso há 20 anos, mas sem a toxina, o algodão é muito mais susceptível ao ataque de insectos. Os estudos estão agora concentrados na remoção da gossipol na semente, mas deixando-a na matéria vegetal. Worsham revela que houve cinco ensaios de campo desta nova colheita na Texas A&M University. «Talvez daqui a 10 anos o algodão terá também um papel na cadeia alimentar», acrescenta o responsável. Falando sobre o ambiente económico nos EUA, Worsham culpa uma combinação de baixa confiança dos consumidores e de excesso de capacidade no retalho como um dos factores para o fraco desempenho que o sector tem registado ao longo dos últimos anos. No entanto, o director-executivo da Cotton Inc está optimista em relação ao futuro crescimento e sucesso do sector, defendendo que o aumento dos rendimentos nos mercados emergentes vai ser um importante motor: «O mundo vai precisar de mais de tudo e o algodão é apenas uma dessas coisas», conclui.