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Algodão sustentável descola para o espaço

A retalhista norte-americana Target e a NASA uniram-se para lançar o “Cotton Sustainability Challenge”, que disponibiliza até um milhão de dólares em financiamento para investigadores que utilizem a estação espacial na busca de soluções sustentáveis para a produção de algodão.

Já passou mais de um ano desde que a Target se comprometeu publicamente com um aprovisionamento responsável e sustentável e, desde então, a retalhista norte-americana tem avançado em várias áreas, incluindo produtos florestais, produtos químicos, embalagens e erradicação do trabalho forçado. Agora, o objetivo é que, até 2022, todo o algodão usado seja 100% sustentável.

Porquê o foco no algodão? No seu website, a Target explica que o algodão é usado em muitos dos seus artigos, sendo a retalhista uma das maiores utilizadoras da fibra em solo norte-americano.

O mais recente esforço da Target para alcançar a meta do 100% algodão sustentável é a parceria estabelecida com o Center for the Advancement of Science in Space (CASIS) e a estação espacial (ISS, na sua sigla em inglês) da NASA para catalisar os avanços tecnológicos na produção de algodão.

O desafio

Embora pareça inusitado que um laboratório em órbita possa ajudar a encontrar melhores práticas agrícolas na Terra, os promotores do desafio listaram algumas das vias pelas quais a estação espacial da NASA pode ajudar no compromisso com o algodão sustentável. Estas incluem a exploração da vantagem da alta altitude da estação espacial, que poderá «dar à comunidade agrícola perspetivas únicas sobre a produção de culturas sustentáveis e a utilização da água», segundo comunicado oficial do CASIS, que administra a estação espacial da NASA.

Os investigadores podem também usar o ambiente de microgravidade na estação para estudar como respondem as culturas de algodão a diferentes ambientes e condições.

O “Cotton Sustainability Challenge” foi anunciado em julho de 2017, durante a Research and Development Conference da NASA, em Washington, por representantes do CASIS, disponibilizando até um milhão de dólares (aproximadamente 823 mil euros) em financiamento.

Anualmente, são produzidas mais de 23 milhões de toneladas de algodão, segundo o website do CASIS. Para obter apenas um quilo de algodão são necessários entre 10.000 a 20.000 litros de água. O CASIS está, por isso, a incentivar os investigadores a apresentarem propostas nas áreas da reologia e dinâmica dos fluídos. De acordo com a declaração, os estudos da dinâmica de fluidos no espaço e, em particular, da dinâmica da água, «podem conduzir a uma melhor compreensão das formas de melhorar a sustentabilidade no terreno».

«Estamos ansiosos por trabalhar ao lado da Target e dos nossos investigadores selecionados enquanto estes se preparam para enviar investigações inovadoras para o nosso laboratório em órbita», afirmou a diretora de inovações comerciais e parcerias estratégicas do CASIS, Cynthia Bouthot, ao portal just-style.com.

Entre os projetos já selecionados está uma plataforma de inteligência artificial personalizável e escalável da empresa Upstream. A plataforma “Best Management Practice Assessment and Real-time Monitoring” utiliza dados recolhidos pelos satélites de observação da Terra para informar e capacitar os sectores público, corporativo e sem fins lucrativos para tomarem decisões relacionadas como a utilização e preservação da água. Já um projeto da Universidade de Clemson, no estado norte-americano da Carolina do Sul, recorre à genética para examinar a expressão génica, padrões de metilação do ADN e sequências genómicas de três diferentes culturas de algodão recorrendo a calos embriogénicos.