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Aliança criativa

O projeto “Mobiliário Entrelaçado”, resultado de um desafio lançado pelo Turismo Industrial de S. João da Madeira, uniu a empresa de mobiliário Catraia, residente na Oliva Creative Factory, à Heliotêxtil, empresa reconhecida pela produção de acessórios têxteis como etiquetas, passamanarias, fitas e transferes.

Uma aliança criativa que resultou na transformação de desperdícios têxteis em peças irreverentes na espinha – ou pernas, ou assento – de série limitada.

O desafio consistia em observar o desperdício de uma das empresas parceiras do Turismo Industrial, neste caso a Heliotêxtil, e desenvolver algumas peças de mobiliário Catraia, com recurso a esses materiais. «O objetivo era juntar duas empresas/marcas cujo produto se juntasse e criar peças únicas, sendo o resultado final algo criativo que demonstrasse um pouco do existente em S. João da Madeira», explica, ao Portugal Têxtil, Iolanda Ferreira, proprietária da Catraia, uma startup focada na reinterpretação de mobiliário antigo português através da ligação de elementos históricos e materiais ecológicos.

Evitar o desaparecimento do mobiliário e incentivar a sua reutilização, transformando uma peça de mobiliário antigo em algo único são os pilares da empresa da jovem designer, que em setembro de 2012 ganhou um prémio de criatividade no concurso “Startup Pirates” com um projeto de recuperação de móveis que incorpora a cortiça.

Nesta parceria, em vez da cortiça, é explorado o excedente têxtil. «São utilizados desperdícios da empresa Heliotêxtil (atacadores que resultaram de coleções antigas, elásticos, desperdícios de etiquetas de roupa que saem diariamente das máquinas, entre outros) e elementos de mobiliário da Catraia», prossegue Iolanda Ferreira.

Da união entre as duas empresas nasceu uma coleção de “catraios entrelaçados” que resultou em duas cadeiras distintas com a junção de cadeira com palhinha e atacadores, apresentadas como “pernas para que vos quero” e “a entrelaçada”, e o banco “desperdício com pernas”, que mistura umas pernas de cadeira com um pouf feito com desperdício de etiquetas.

«A Heliotêxtil cedeu resíduos têxteis que, de outra forma, não teriam mais utilidade», revela, ao Portugal Têxtil, Susana Correia, diretora da qualidade da empresa que emprega cerca de 100 trabalhadores «O Turismo Industrial propôs esta integração, puseram-nos em contacto para ver se os nossos resíduos podiam ser utilizados e foi possível criar este conjunto de peças», acrescenta.

Esta não é, porém, a primeira iniciativa do género para a Heliotêxtil, que ultimamente tem encaminhado os seus desperdícios para as mãos de jovens estudantes de design.

«A Heliotêxtil colabora também com a Escola Artística e Profissional Árvore. Há visitas regulares dos alunos de design que também levam restos de produção para os seus projetos de final de ano», conta Susana Correia.

Os produtos resultantes do repto do Turismo Industrial de S. João da Madeira podem ser vistos na loja da Catraia, na Oliva Creative Factory.