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Alpaca ganha certificação de responsabilidade

A matéria-prima ficou sob fogo, depois da PETA ter denunciado maus tratos aos animais na maior quinta mundial de produção de alpaca, no Peru, que levou retalhistas a comprometerem-se a abandonar a fibra. Agora, a Textile Exchange está a trabalhar com a Gap e a H&M na certificação Responsible Alpaca Standard.

[©Pixabay/NickyPe]

A certificação pretende verificar e identificar fibra de alpaca produzida em quintas que respeitam o bem-estar animal e o ambiente, tal como já acontece com a Responsible Wool Standard e a Responsible Mohair Standard, as certificações da Textile Exchange para lã e mohair.

A Responsible Alpaca Standard está a ser desenvolvida com o contributo das retalhistas H&M e Gap Inc e, segundo a organização, aplica «um forte sistema de segurança» para realizar auditorias regulares às quintas e para rastrear a matéria-prima da quinta até ao produto final.

Segundo a Textile Exchange, a produção de alpaca tem um elevado potencial de bem-estar animal devido a um sistema de liberdade de pasto, com os animais adaptados ao meio ambiente. Além de assegurar que os animais são tratados de forma responsável e que a terra e a biodiversidade foram devidamente geridas, a certificação também envolve a responsabilidade social na quinta.

«A indústria tem a responsabilidade de assegurar um grande bem-estar animal através das suas cadeias de aprovisionamento e acreditamos que as certificações são uma forma eficiente de mostrar uma procura unificada», afirma, citada pelo just-style.com, Ashley Gill, diretora de certificações na Textile Exchange.

Una Hrnjak-Hadziahmetovic, diretora sénior de sustentabilidade global da Gap Inc, acrescenta que, «em parceria com as partes envolvidas no Peru e em todo o mundo, esta certificação pretende ajudar a assegurar e a proteger o bem-estar das alpacas no seu ambiente natural nos Andes, ao mesmo tempo que continua a apoiar os rendimentos das comunidades locais no Peru».

Boicote à fibra

Esta certificação surge no seguimento de uma acusação da PETA no início de junho, onde a associação de proteção dos direitos dos animais alega que os trabalhadores da Mallkini, a maior quinta privada de alpacas no Peru, estavam a causar grande sofrimento aos animais, que eram tosquiados demasiado próximo da pele.

[©PETA]
«A investigação da PETA puxou a cortina sobre a tosquia violenta que deixa as alpacas a sangrar e a berrar», afirmou, na altura, Tracy Reiman, vice-presidente executiva da PETA, em comunicado. «Apelamos a todos os retalhistas para protegerem estes animais vulneráveis banindo a lã de alpaca e pedindo aos consumidores para deixarem estes artigos produzidos de forma cruel na prateleira», acrescentou.

A acusação levou a retalhista Marks & Spencer a comprometer-se a eliminar faseadamente a alpaca do desenvolvimento de produto, o mesmo tendo acontecido com a Esprit. Já a Gap e a H&M cortaram relações comerciais com o Michell Group, que detém a quinta Mallkini.

No entanto, a tosquia anual dos animais é necessária não só para obter a fibra mas também para evitar que os animais sofram com o calor e doenças que o excesso de pelo pode causar.

Em resposta à acusação, o Michell Group começou por rejeitar as acusações, indicando que o tratamento das alpacas no vídeo feito pela PETA «constitui as práticas estabelecidas».

Ao Sourcing Journal, um porta-voz da Mallkini referiu que «a grande maioria das alpacas são bastante dóceis e deixam-se ser tosquiadas com grande facilidade. São mantidas juntas com as famílias e levadas para o espaço de trabalho sem grande esforço. Uma pequena parte das alpacas mostra nervosismo e exige um pouco mais de restrição, mas o processo demora apenas alguns minutos e está sujeito a um rigoroso protocolo, para cuidar delas e não lhes causar mais stress».

A Millkini indicou, contudo, ter começado uma «investigação exaustiva» para determinar os factos e para «garantir que um evento como este não acontece de novo». A Mallkini é a única quinta de alpaca no mundo com a certificação orgânica atribuída pelos regulamentos da UE e do Departamento de Agricultura dos EUA, que abrange o solo, a criação, gestão e tosquia de alpacas.