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Alta-costura fecha com glamour

O designer belga Serkan Cura inflamou a passerelle da Semana de Alta-Costura de Paris, conjugando a era de ouro de Hollywood com a irreverência ao melhor estilo de Jean Paul Gaultier (verBorboletas dão asas a Gaultier), num ponto final perfeito para os desfiles desta da primavera-verão 2014. Nascido na Turquia, Cura, que fez um estágio no atelier de Jean Paul Gaultier, usou deliberadamente penas, bustiers minúsculos e corpetes em tons nude mas manteve uma silhueta sensual, com cinturas marcadas, na ordem do dia. Os números clássicos incluíram vestidos em preto e branco enriquecidos com penas e rendas, reminiscentes dos dias de Marlene Dietrich e Rita Hayworth – uma vénia à ostentação da feminilidade mas com um certo “não me toques”. Um vestido preto com um corte revelador no peito e saia aberta foi acabado com penas da cintura para baixo, mas o reportório também incluiu jumpsuits justos com um toque moderno de desconstrutivismo. As tendências contemporâneas marcaram ainda presença com bustiers – num aceno a Gaultier – e um micro minivestido em prateado, a lembrar os vestidos metálicos de Paco Rabanne que foram emblemáticos nos anos 60. Um dos pontos altos da dos desfiles foi o visual leve da Chanel para a primavera-verão 2014, com as modelos a usarem ténis e tons pastel (ver Alta-costura desfila em ténis). Mas não são quaisquer ténis que servem ao diretor criativo Karl Lagerfeld, que incumbiu a Massaro, uma casa de moda centenária responsável por criar os icónicos sapatos em preto e bege que ainda hoje são sinónimo de Chanel. «Tem de ser leve, de outra forma a imagem da alta-costura estará ultrapassada», justificou Lagerfeld. Serge Carreira, professor da Universidade Sciences-Po de Paris e especialista na indústria de luxo, considera que «romantismo e leveza são as palavras-chave desta estação». Carreira sustenta ainda que essa leveza foi acompanhada «por uma certa sobriedade com apenas um toque de exotismo subtil com os chapéus da Schiaparelli, as borboletas de Gaultier e os motivos africanos de Valentino».