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Alta moda em Roma

«Muita cor e muito charme» são as duas principais características dos modelos apresentados durante 15ª edição da Alta Roma, que reuniu vários criadores mundiais de destaque. No certame, que apresentou as tendências para o Outono/Inverno 2009-2010, uma das cores mais influentes da actual temporada também teve especial protagonismo: o rosa, que apareceu em vários e variados vestidos, conferindo assim um toque de sensualidade. O brilho foi outro dos elementos que esteve presente em muitas das colecções apresentadas. Em destaque esteve a colecção do libanês Abed Mahfouz, que num cenário privilegiado – no Arco de Constantino, relativamente perto do Coliseu de Roma – apresentou vestidos de noite inspirados na arte barroca. As indumentárias longas exibiam bordados em prata. De igual forma, a dupla formada por Antoni Grimaldi e Sylvio Giardina, da marca Grimaldi&Giardina, seduziu o público com vestidos de seda e chiffon em tons de vermelho. Tony Ward encantou a plateia com um vestido de noiva sem mangas. O exuberante modelo fabricado com mais de 150 metros de seda e milhares de cristais Swarovski necessitou de mais de mil horas de trabalho manual. Esta peça tem ainda uma meta de solidariedade. Isto porque, segundo os organizadores, o dinheiro da venda deste artigo será destinado a associações de apoio a mulheres maltratadas. Já Guillermo Mariotto brilhou com uma colecção para a Gattinoni, onde primaram os vestidos de noite de cores intensas. Aplaudidos foram igualmente os criadores africanos Banuq e Kofi Ansah, que desfilaram moda étnica de luxo, com telas naturais fabricadas naquele continente. Um desfile incorporado no projecto “Ethical Fashion”, que foi apoiado especialmente por Nicoletta Fiorucci, presidente da sociedade que organiza o evento de moda na capital italiana. No entanto, apesar da reacção relativa à diversidade de criações ter sido bastante positiva, o certame esteve envolto em polémica. A questão crucial de alguns estilistas foi: «se num desfile com 400 convidados onde apenas 8 compram algumas peças, a pergunta que se coloca é: valerá a pena?». Cada desfile custa, em média, cerca de 250.000 euros. No entanto, desde 2008, os criadores presentes registaram uma redução de 40%. Por consequência, nomes de destaque da moda italiana, como Gattinoni e Fausto Sarli, já anunciaram publicamente que no próximo ano, farão apenas desfiles reservados nos seus ateliers, para clientes habituais. De igual forma, a Alta Roma tem vindo a ser criticada por não utilizar o fantástico cenário oferecido pela beleza natural da capital italiana e remeter os seus desfiles a um auditório e ao complexo edifício de “Santo Spirito in Sassia”.