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Alternativa à China?

Entre os mercados alternativos de aprovisionamento, onde estão incluídos Vietname, Índia e Camboja, o Bangladesh é a principal escolha para os responsáveis inquiridos, que esperam que o país represente 17% do valor das suas encomendas nos próximos cinco anos, referiu Achim Berg, “partner” na McKinsey e responsável pelo estudo, no World Fashion Convention, organizado pela International Apparel Federation (IAF), que decorreu perto de Xangai. «O Bangladesh tem muitas vantagens, como capacidade e estruturas de baixo custo, que outras alternativas não possuem. A conveniência é outro exemplo, na medida em que a maioria dos fabricantes está localizada em torno de Daca», disse Berg, apontando que esta é uma das razões porque a Índia fica atrás do Bangladesh na lista dos preferidos para a subcontratação. «Na Índia é necessário viajar para talvez até dez lugares em diferentes estados, com diferentes regulamentos. Isto torna difícil competir contra localizações únicas como Daca com 3500 fábricas “à mão”», acrescentou. Um estudo semelhante realizado pela McKinsey em 2011 mostrou que a infraestrutura era na altura a primeira preocupação para os responsáveis de compras na escolha dos locais de fabricação. Mas a nova pesquisa, realizada entre julho e agosto deste ano, mostra que a conformidade com os regulamentos é atualmente a principal preocupação. «Questões sobre incêndios e segurança dos edifícios substituíram a infraestrutura como a principal preocupação dos diretores de compras. Cerca de 50% indicaram que provavelmente ou definitivamente irão rever a sua base de fornecedores no Bangladesh, e mudar os seus padrões de auditoria noutros países de aprovisionamento de baixo custo», revelou Berg. O responsável pelo estudo também corrigiu um equívoco sobre o que os trabalhadores no Bangladesh podem fazer. «É verdade que a produção local costumava ser de gama baixa, focalizada em grandes encomendas, mas nos últimos anos isso mudou», esclareceu. Além disso, na medida em que os fornecedores locais tornaram-se mais dispostos a aceitar encomendas mais pequenas, com padrões mais elevados de qualidade, eles também estão a atrair compradores de média dimensão, acrescentou. No estudo realizado, cerca de 93% dos responsáveis de compras disseram acreditar que os custos de mão-de-obra vão subir no Bangladesh. Na realidade, os trabalhadores têxteis têm frequentemente feito manifestações desde a tragédia de Rana Plaza, que ocorreu em abril, para exigir mais benefícios e salários mais altos. O país é atualmente o segundo maior exportador de vestuário do mundo, depois da China, mas o salário mínimo é de apenas 3.000 taka (38,60 dólares) por mês, em comparação com 1.030 yuan (162,7 dólares) por mês pagos na província de Guizhou, na China, que tem o menor padrão do país. Para além dos países asiáticos, 81% dos compradores de média dimensão e 53% dos de gama de valor, apontaram que a proximidade aos fornecedores está a tornar-se mais importante para determinadas categorias de produtos e aplicações com prazos de entrega curtos. Por conseguinte, os fabricantes no Norte de África, Turquia e Europa de Leste, serão ideais para fornecer o mercado europeu ocidental e central, assim como os localizados no México e na América do Sul serão ideais para o mercado dos EUA.