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Altos e baixos

Diversos designers de calçado adaptam a altura dos seus modelos às diferentes preferências dos consumidores – desde os vertiginosamente altos à praticidade dos rasos. Os adeptos do conforto podem agora disfrutar do prazer de calçar um sapato de design, sem a obrigatoriedade dos saltos-altos.

Dizem que nada realmente muda na indústria da moda mas, há 15 anos, o panorama do sector do calçado era, literalmente, mais íngreme, garante o The Wall Street Journal. A editora de moda e designer de joias Amanda Ross recorda-se desse período. Quando comprava um modelo Manolo Blahnik, popularizado pela série nova-iorquina da década de 1990, “Sexo e a Cidade”, estava frequentemente limitada à escolha de um tacão de 90 milímetros ou, o ainda mais alto, modelo de 110 milímetros. «Esqueçam a existência de opções», afirmou, ao The Wall Street Journal, Amanda Ross, que trabalhou anteriormente na revista de moda Harper’s Bazaar, um cargo que obrigava ao uso permanente de uma indumentária elegante. «Comprávamos o de 90 ou 110 milímetros», revelou.

E no caso frequente de um modelo particularmente desejável apenas se encontrar disponível num difícil tacão de 110 milímetros, recorda Amanda Ross, a única alternativa era levá-lo a um sapateiro e cortar o tacão, reduzindo-o a 90 milímetros. «Fiz isso uma vez», referiu Ross, «mas não resultou».

Ao longo dos anos, o tamanho dos tacões aumentou e diminuiu, mas as opções nunca foram tão variadas como hoje. Os designers, desde os mais reconhecidos do sector, como Roger Vivier, aos mais jovens estreantes, como Paul Andrew, optam agora por disponibilizar o mesmo modelo de sapato em três ou quatro alturas diferentes. Os grandes armazéns Neiman Marcus e Bergdorf Goodman disponibilizam o modelo clássico Manolo Blahnik BB em cinco alturas diferentes.

A versatilidade dos tacões é o novo elemento essencial de qualquer coleção. A designer Tanya Heath criou uma linha de sapatos de luxo com tacões amovíveis. Amanda Ross, por sua vez, mostra-se satisfeita com esta característica e grata por ter mais sapatos saltos-altos de diferentes tamanhos à sua disposição. «Simplesmente não é prático correr de um lado para o outro de saltos altos», reconhece. Diversos designers de sapatos parecem concordar: «Ninguém usa sapatos de salto alto todo o dia, todos os dias», sustenta Edgardo Osorio, presidente e diretor criativo da ainda jovem marca florentina Aquazzura. A versatilidade e o conforto dominam o conceito da marca. Na sua mais recente coleção, Osorio disponibiliza sete modelos de sapatos com saltos de três tamanhos diferentes e um modelo com quatro.