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Altri impulsiona produção de liocel

A empresa portuguesa está a investir numa unidade de produção de fibra de liocel na Galiza, ao mesmo tempo que melhora as suas credenciais verdes, incluindo na unidade de produção de Caima.

Sofia Reis Jorge

Na sua intervenção durante a iTechStyle Summit, Sofia Reis Jorge, diretora-executiva de sustentabilidade, risco e comunicação da Altri, confirmou o objetivo da Altri de «construir a unidade produtiva de liocel mais sustentável do mundo», um projeto que irá concretizar-se na Galiza com o apoio de parceiros e autoridades locais e que tinha já sido anunciado no ano passado. «É uma fábrica que irá produzir 200 mil toneladas de pasta solúvel e parte dessa pasta vai ser integrada numa linha, que também vamos construir, onde vamos produzir 100 mil toneladas de liocel. Depois, num futuro próximo, teremos espaço para uma outra linha de mais 100 mil toneladas», revelou ao Jornal Têxtil.

Segundo Sofia Reis Jorge, o projeto, que é apoiado pelo PRR espanhol e prevê um investimento de 750 milhões de euros, ainda está em fase de pré-viabilidade, não tendo prazos estabelecidos, antecipando, contudo, «uma meia dúzia de anos» até saírem as primeiras fibras de liocel. Também o plano de negócio, em termos de comercialização, está a ser desenvolvido, embora, adiantou a diretora-executiva de sustentabilidade, risco e comunicação da Altri, «o nosso grande foco, obviamente, e até pelo facto de estarmos na Galiza e termos um cluster fortíssimo no Norte de Portugal e na Galiza, é, de alguma forma, conseguirmos entrar nesse mercado».

Apesar de ter nascido do sentido de oportunidade, já havia, de parte da empresa, «a vontade de diversificar o produto», confessou Sofia Reis Jorge. «Temos muito know-how em casa, porque, no fundo, o que estamos a produzir são fibras e o nosso negócio é a produção de fibras. Só estamos a otimizar o nosso produto para um mercado diferente. Hoje em dia já produzimos para o mercado dos laminados, para o mercado da impressão escrita, papel fotográfico, portanto, isto é algo em que estamos agora a especializar-nos também», afirmou ao Jornal Têxtil.

 

Além disso, a Altri produz, desde há alguns anos, fibras para indústria têxtil na sua unidade de Caima, onde, de resto, está a investir 40 milhões de euros para construir uma nova caldeira de biomassa e abandonar os combustíveis fósseis no seu processo de produção, com o prazo de conclusão previsto para o final de 2024. «A Caima produzia uma pasta de papel diferente das outras duas fábricas. Começámos a perceber que era uma pasta muito importante e que podia facilmente ser adaptada ao mercado têxtil», explicou. Uma área de negócio que tem evoluído. «Temos vindo a aprender e a melhorar cada vez mais a qualidade da nossa pasta para entrarmos em mercados muito mais exigentes, como o mercado europeu», acrescentou a diretora-executiva de sustentabilidade, risco e comunicação da Altri.

Foco na sustentabilidade

A concretização do projeto na Galiza enquadra-se ainda no Compromisso 2030 da Altri, que contempla objetivos «ambiciosos» alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e assentes nos quatro vetores estratégicos de desenvolvimento que centram a sua atividade e futuros investimentos: desenvolver e valorizar a floresta; apostar na excelência operacional e na inovação tecnológica; valorizar as pessoas; e afirmar a sustentabilidade como fator de competitividade.

«Água é fundamental, energia renovável é fundamental, a aposta nas pessoas é fundamental, não podemos ter acidentes de trabalho, a gestão de todos os objetivos associados à gestão florestal, são todos eles muito importantes. Não há um compromisso que seja mais importante que o outro, são os nossos compromissos», sublinhou Sofia Reis Jorge.

Em termos de matérias-primas, «só usamos fibra de eucalipto e a forma como fazemos a gestão das florestas de eucalipto é a mesma forma da produção agrícola. Portanto, plantamos e colhemos. Fazemos a gestão de todas estas áreas de uma forma sustentável, não vamos desflorestar nada», garantiu.

Aliás, esclareceu, «a sustentabilidade é a estratégia do nosso negócio. Não pode ser vista como um meio para atingir um fim. Não podemos utilizar o termo sustentabilidade separado de tudo o que é o negócio. O negócio só vê a luz do dia se for sustentável, portanto, não vale a pena estarmos aqui a falar em sustentabilidade separado de tudo o resto. A sustentabilidade é a estratégia».

No entanto, considera a diretora-executiva de sustentabilidade, risco e comunicação da Altri, «a sustentabilidade deveria estar no nosso dia a dia, nas escolhas que fazemos, na forma como gerimos os nossos recursos. Os grandes responsáveis por uma gestão sustentável dos recursos somos nós, enquanto consumidores, não são as empresas. As empresas oferecem aquilo que nós consumimos».