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Aluguer de vestuário mais apelativo para a geração Z

À medida que a preocupação com o meio ambiente aumenta, os consumidores da geração Z estão cada vez mais dispostos a fazer mudanças que ajudem o planeta. Por isso, o aluguer de vestuário tornou-se um serviço apelativo para reduzir o consumo excessivo, revela um novo estudo.

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Os investigadores da Washington State University (WSU) entrevistaram 362 adultos nascidos entre 1997 e 2002 nos EUA como parte de um estudo referente ao aluguer de vestuário e descobriram que os inquiridos continuam interessados em estar na moda, mas não têm necessariamente de possuir os artigos.

O aluguer de vestuário tem-se tornado uma prática cada vez mais comum entre os consumidores, uma vez que salvar o meio ambiente fica mais fácil ao prolongar a vida útil de uma determinada peça de vestuário.

«A ideia está a crescer em popularidade, especialmente entre os consumidores da geração Z. Eles têm muito interesse pelo consumismo sustentável, preocupam-se com o meio ambiente e estão dispostos a fazer mudanças para ajudar o planeta», afirma Ting Chi, autor da pesquisa e presidente do Departamento de Vestuário, Merchandising, Design e Têxteis da WSU, ao Just Style. «[Os consumidores] estão mais focados no uso. Isso aumenta o ciclo de vida de um produto, se ele for usado por pessoas diferentes. Também reduz o desperdício, enquanto responde às necessidades de variedade do consumidor», aponta.

Fatores de recetividade

O estudo publicado na Sustainability Magazine identificou vários fatores que converteram o aluguer de vestuário num conceito aceitável para os adultos da geração Z. Segundo Ting Chi, o mais importante foi a perceção da eficácia de fazer a diferença, uma vez que se os consumidores sentirem que os esforços estão realmente a ter impacto, vão estar mais recetivos à mudança. Outro dos fatores foi o foco principal no uso e na propriedade. «Os consumidores obteriam produtos mais novos com maior frequência do que se possuíssem um artigo. O desejo de adquirir novos artigos de vestuário fez com que fosse mais provável experimentar os serviços de aluguer», explica.

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Apesar deste conceito já existir há décadas está mais associado ao vestuário formal e não propriamente ao do quotidiano, um pressuposto que começa a mudar aos olhos dos compradores. «É por isso que começamos a falar com a geração Z. Ela está mais disposta a adaptar-se às mudanças e fazê-lo para ajudar o meio ambiente ainda é mais apelativo», justifica Ting Chi.

De acordo com a Environmental Protection Agency, em 2018, as estatísticas disponíveis mais atualizadas, os consumidores enviaram mais de 17 milhões de toneladas de têxteis para aterros nos EUA, o que representa um aumento face às cerca de 13 milhões de toneladas registadas em 2009 e às 9,4 milhões de toneladas em 2000. «Estamos a desperdiçar muitos têxteis. Os americanos compram, em média, 67 peças de roupa por ano, mas de quantas precisamos na realidade? [As roupas] são acessíveis mais causa danam ambientais reais. Precisamos de fazer um esforço individual para ajudar o meio ambiente e uma forma de ajudar é introduzir a economia partilhada», adianta ao utor correspondente da pesquisa e presidente do Departamento de Vestuário, Merchandising, Design e Têxteis da WSU.

Iniciativas em movimento

Ting Chi e os coautores do estudo planeiam continuar a pesquisa incidindo noutras gerações para avaliarem o interesse nesta mesma temática.

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Várias retalhistas e marcas de vestuário lançaram ofertas de aluguer de vestuário e subscrições de aluguer nos últimos meses. Mais recentemente, a LK Bennett disponibilizou um serviço de aluguer de roupa com assinatura ilimitada exclusivamente para mulheres que permite às clientes do Reino Unido alugar algumas das peças mais populares da marca.

No início do ano, a Ralph Lauren lançou a primeira iniciativa de aluguer de vestuário por assinatura, uma iniciativa que permite à empresa de moda dos EUA explorar o foco crescente na economia partilhada.

Mesmo com todos os benefícios ambientais associados ao aluguer de vestuário, um estudo recente sugere que a compra de roupa nova é uma opção mais sustentável do que alugar e lavar a seco as peças já existentes.