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Amazon assombra grandes armazéns

A gigante americana já é a maior retalhista de vestuário do ciberespaço. A par do pódio digital, a Amazon pode, inclusivamente, vir a ultrapassar a maioria das suas rivais físicas em vendas de moda, considerando os dados recentes.

Na última década, as marcas de moda começaram a olhar para a Amazon como um inimigo.  Muitas marcas deixaram de vender os seus produtos via Amazon, culpabilizando uma plataforma desorganizada e o risco de produtos falsificados por tal decisão.

Outras começaram mesmo websites próprios, mas continuaram a contar com os grandes armazéns para a maior parte das suas vendas. Então, a Amazon decidiu investir numa marca própria de vestuário (ver Amazon está na moda).

A retalhista americana adquiriu também a Zappos em 2009, o peso-pesado na venda online de calçado e realinhou o seu foco para a venda de artigos de moda básicos, como t-shirts, leggings e jeans – peças que as pessoas compram online regularmente e sem remorsos.

Os consumidores começaram assim a depositar mais confiança nas propostas de vestuário da Amazon, causando erosão nas vendas de básicos nos grandes armazéns.

Como resposta à popularidade crescente, no ano passado, a Amazon aumentou o número de artigos de vestuário e acessórios no seu website em 87% relativamente ao ano anterior, na mesma altura em que as vendas de vestuário atingiram os 16,3 mil milhões de dólares (aproximadamente 14,5 mil milhões de euros), de acordo com a Internet Retailer – valor que supera as vendas online combinadas dos seus cinco maiores concorrentes de vestuário no ciberespaço: Macy’s, Nordstrom, Kohl, Gap e L Brands.

Ainda assim, as vendas de vestuário da Amazon permanecem baixas em comparação com os 24 mil milhões de dólares em vendas de peças de roupa no Walmart, a maior retalhista de vestuário americana. Por outro lado, não estão muito longe dos números da Macy’s, que fatura 21 mil milhões de dólares em vendas anuais de vestuário, ou da TJX Cos., que contabiliza 17 mil milhões de dólares. De resto, em 2015, a Amazon ficou à frente da Gap, Kohl’s, Target, J. C. Penney e Nordstrom nas vendas de vestuário.

As vendas coletivas nos seis maiores grandes armazéns dos EUA caíram 660 milhões de dólares no segundo trimestre em relação ao ano anterior. Muitas dessas vendas foram para a Amazon, cujas vendas de vestuário escalaram 1,1 mil milhões no mesmo período, estima Kimberly Greenberger, analista da Morgan Stanley, ao portal Bloomerg.

Um quinto dos consumidores norte-americanos compra agora «frequentemente» roupas na Amazon, segundo uma pesquisa de abril do Morgan Stanley. O número de consumidores sobe para 35% para os membros Amazon Prime.

A pesquisa constatou que as principais justificativas para a preferência foram a «facilidade e a conveniência», seguidas pela «expedição gratuita em dois dias no serviço Prime». Por outras palavras, o que mais impulsiona as vendas de vestuário na Amazon não é a roupa, mas a logística.

Ainda assim, quase 60% dos consumidores afirmaram que estariam dispostos a comprar mais roupa na Amazon se a retalhista oferecesse uma seleção mais ampla de marcas conhecidas. Para cortejar estas marcas, a Amazon começou recentemente a frequentar as mesmas “festas” – patrocinou a semana de moda masculina em Nova Iorque e a India Fashion Week. A curto-prazo, a Tokyo Fashion Week será também rebatizada Amazon Fashion Week Tokyo.

A retalhista tem também um programa web sobre moda que é transmitido ao vivo e patrocina uma série web sobre o Council of Fashion Designers of America/Vogue Fashion Fund. Marcas como a Kate Spade, French Connection, 7 For All Mankind e Vince já exibem os seus produtos nas prateleiras digitais da gigante do comércio eletrónico e, no início deste mês, a Amazon apertou o cerco aos artigos contrafeitos nos seus vendedores de marketplace.

Contudo, o maior divisor de águas para a Amazon ainda se está a desenrolar, acreditam os analistas. Com as vendas em declínio nos grandes armazéns, a Amazon tem mais força do que nunca para alavancar as apostas no sector do vestuário.