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Amazon corteja a moda

A Amazon está a namorar reconhecidas marcas de moda, persuadindo-as a disponibilizarem os seus produtos na plataforma de retalho digital. Caso estas declinem o convite, o gigante americano planeia aventurar-se de forma independente.

A plataforma de e-commerce americana, que tem investido arduamente na construção do segmento Amazon Fashion, pretende disponibilizar as suas próprias marcas de vestuário. «Sabemos que os nossos clientes adoram marcas e é daí que a maioria do nosso negócio advém», disse Jeff Yurcisin, vice-presidente do segmento de vestuário da Amazon Fashion e CEO da unidade Shopbop da Amazon. «Quando algumas marcas optaram, pelas suas próprias razões, não vender connosco, teremos que ser nós próprios a avançar com o private-label», acrescentou.

Esta observação é significativa, uma vez que a Amazon Fashion se tem concentrado na tentativa de atrair marcas de vestuário a venderem os seus produtos num site reconhecido, especialmente, pelos seus preços baixos e eficiência, por oposição à apresentação e curadoria. A intenção da Amazon de fabricar produtos que não pode obter de marcas de moda já existentes, poderá constituir um novo mecanismo de negociação para a empresa, potencialmente mais rentável.

A Amazon identificou a categoria de alimentos e vestuário como as suas principais oportunidades de crescimento nos próximos anos, e em maio o Wall Street Journal adiantou que a empresa se encontra a preparar diversas marcas privadas de produtos de mercearia.

A expansão rumo à categoria de vestuário poderá acarretar os seus próprios desafios. Como o The New York Times escreveu em julho, diversas marcas de moda têm-se revelado «preocupadas face à disponibilização das suas marcas num website que é mais um serviço, do que uma boutique». Em junho, The Business of Fashion disse: «Embora o vestuário feminino, masculino e infantil sejam algumas das categorias de produtos de mais rápido crescimento do e-tailer, a Amazon não é o primeiro lugar ao qual a maioria das pessoas acorre quando se trata de comprar roupas».

Yurcisin estava consciente dessa crítica quando afirmou que 40 milhões de clientes adquirem produtos disponibilizados na Amazon Fashion, e que o seu modelo de preços não é diferente daquele implementado por outros retalhistas.

«Operamos como qualquer outro retalhista – adquirimos pelo preço integral, tentamos arduamente vender pelo preço integral. Em seguida, adotamos uma cadência de remarcação tradicional», disse ele. Paralelamente, destacou o valor da carteira de clientes Prime da empresa, à qual os grandes retalhistas podem aceder através da venda na plataforma da Amazon. A empresa inclui diversas marcas de renome no seu website, como Calvin Klein, Levi’s, Kate Spade, New Balance, Puma e Steve Madden.

No início deste ano, o Times of India informou que a Amazon India estava a constituir uma equipa destinada a gerir marcas de moda privadas, embora se desconhecesse a plataforma a partir da qual esses produtos seriam vendidos.

Os artigos de moda têm, habitualmente, uma margem de lucro de 30% a 40%, enquanto os produtos de marca própria podem alcançar os 55% a 65%, de acordo com os analistas da Nomura.