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Amazon está na moda

Nos últimos meses, a gigante online Amazon tem assumido várias investidas para conseguir vestir a camisola e entrar no campo da moda para ganhar. A retalhista revolucionou a forma como os consumidores compram peças de vestuário há mais de uma década – em 2006 comprou o website Shopbop e três anos depois adquiriu o portal de venda de calçado Zappos – e, desde então, a ambição apenas cresceu.

Os últimos passos da Amazon – alguns abertamente divulgados, outros envolvidos em secretismo – mostram que a retalhista está a acelerar a sua incursão na moda. No início de março lançou para o ciberespaço um programa de moda diário, o primeiro transmitido em direto, com duração de meia hora. A Amazon assumiu também o papel de principal parceiro da Semana da Moda Masculina de Nova Iorque, que em janeiro apresentou a sua segunda temporada de desfiles.

A gigante fundada pelo empresário norte-americano Jeff Bezos começou ainda a incluir na sua grelha a transmissão do “The Fashion Fund”, um reality show no qual jovens designers competem num concurso patrocinado pelo Council of Fashion Designers of America (CFDA), que organiza a Semana de Moda de Nova Iorque.

Quanto aos seus passos discretos, podem ser encontrados no website Amazon.com, onde surgiram novas marcas de moda que, segundo a AFP, poderão ter sido patenteadas pela retalhista. As marcas Lark & ​​Ro, North Eleven e Franklin Tailored foram registadas pela Amazon ao longo dos últimos meses no portal do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia.

Depois de anos focada em peças de designer, desenhadas e vendidas por outros, a Amazon – cujo volume de negócios em 2015 ultrapassou os 100 mil milhões de dólares (aproximadamente 87,8 mil milhões de euros) – está a desenvolver as próprias linhas de vestuário.

Quando contactada pela AFP sobre o tema, a Amazon recusou-se, porém, a comentar. «Teremos todo o gosto em comentar quando estivermos prontos para partilhar as notícias e a estratégia global do nosso negócio», adiantou um porta-voz da Amazon Fashion à agência noticiosa.

Abundância de oportunidades

«A Amazon está a ser vista como uma oportunidade estratégica e como possível sócia» na comunidade de fornecedores, com alguns a acreditarem que a retalhista «pode ser um cliente do seu top 3 a médio prazo».

A par dos fornecedores, também os clientes parecem estar a gostar do que está na calha da gigante online. «[Na Amazon] há a possibilidade de ter o mundo na ponta dos dedos no mesmo lugar», advoga Marshal Cohen, analista do The NPD Group. «Os websites das marcas e de retalho tradicionais têm ofertas limitadas. Considerando que, quando se olha para a Amazon, a oferta de produtos é gigantesca», acrescentou.

Os analistas do Cowen Group referiram, já no verão de 2015, que esperam que a Amazon se transforme na retalhista de vestuário líder nos EUA em 2017, destronando concorrentes como o Wal-Mart e a Macy’s. Estes preveem receitas de cerca de 27,7 mil milhões de dólares no próximo ano e de 52 mil milhões em 2020 – apenas nos EUA.

Numa frente mais internacional, cadeias como a H&M e a Zara também têm razões para estar preocupadas, uma vez que a inauguração, no ano passado, de uma livraria em Seattle poderá ser um presságio da abertura de espaços físicos de pronto-a-vestir Amazon, antevê a AFP.